Para o cientista político, chapa puro-sangue ensaiada por José Serra consolaria pré-candidatos tucanos.
Passada mais uma semana, ainda não se sabe, ao menos oficialmente, as
condições colocadas por José Serra para disputar a prefeitura de São
Paulo. Uma delas, conforme o último burburinho, seria a possibilidade de
concorrer numa chapa puro-sangue – o que sinalizaria que, com um
candidato a vice tucano, Serra poderia, de novo, deixar o posto para
alçar voos mais altos e deixar São Paulo sob o controle do partido.
Enquanto Serra não se decide, o tabuleiro da corrida eleitoral na
maior cidade do País segue, consequentemente, incerto. Os cenários mudam
conforme a movimentação dos atores – no caso, os pré-candidatos.
Fato é que, na opinião do cientista político Celso Roma, a
candidatura do tucano será fatalmente um obstáculo às pretensões
políticas de Fernando Haddad (PT).
Roma lembra que só a possibilidade de Serra entrar na disputa já fez a
cúpula do PT repensar a estratégia para a campanha de Haddad.
Isso porque, se concorrer, entraria já com o apoio do governador
Geraldo Alckmin e, muito provavelmente, do prefeito Gilberto Kassab.
A eleição em São Paulo, portanto, diz o especialista em partidos
políticos, “projeta um cabo de guerra entre a administração municipal e
estadual, de um lado, e, de outro, a administração federal”.
Para se candidatar, Serra teria de chegar sem pedir licença. Vale
lembrar que, enquanto não se decide, quatro pré-candidatos ensaiam a
realização de prévias que, no fim das contas, podem se revelar um mero
simulado. Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Anibal (secretários do
governo Alckmin) e o deputado federal Ricardo Tripoli são hoje,
oficialmente, os pré-candidatos tucanos.
Para Roma, o cancelamento das prévias do PSDB pode frustrar uma parte
dos líderes e demais filiados do partido. A consulta, avalia ele,
serviria como incentivo à filiação e atrairia os filiados para dentro do
partido – o que não é a tradição tucana, que desde 1988 vê apenas os
líderes tomarem as decisões.
Por isso, a chapa pura do PSDB, segundo o analista, seria uma
estratégia para justificar o cancelamento das prévias e diminuir o
descontentamento de seus pré-candidatos e filiados.
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O desafio, em consequência, seria reunir em torno dele os líderes do
DEM e do PSD. O passo fortaleceria a oposição para a disputa da eleição
presidencial de 2014. Mas, ao mesmo tempo, sinalizaria que foi
abandonado o projeto de disputar a Presidência, abrindo a possibilidade
de o PSDB começar a construir um consenso em torno da indicação de Aécio
Neves para 2014.
Em compensação, Serra entraria na disputa como um dos candidatos mais
fortes a abater no ar os planos petistas de conquistar a joia da coroa
num reduto tucano. O maior desafio de Serra não seria convencer os
paulistanos de que ele deseja conquistar e cumprir, na íntegra, o
mandato de prefeito.
Segundo Roma, os índices de rejeição ao nome de Serra apontados em pesquisas de opinião precisam ser relativizados.
A rejeição é explicada, segundo ele, pela polarização entre o PSDB e o
PT em São Paulo. Para Roma, se a senadora petista Marta Suplicy
estivesse na disputa, também constaria da lista dos candidatos mais
rejeitados pelos paulistanos.
Enquanto isso, a plataforma petista, que passava do flerte a caso
sério com o PSD de Kassab, começa a se desenhar com outros contornos.
Uma coisa é certa: a federalização do debate fatalmente levará ao
palanque dois projetos de poder. Roma prevê que Haddad subirá para as
primeiras colocações assim que começar o horário eleitoral. É quando o
eleitor saberá que seu principal cabo eleitoral é o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Ainda assim, Roma avalia que a disputa será dura: “A opinião do
ex-presidente Lula influencia grande número de paulistanos, mas a
opinião dele ainda não é o suficiente para definir o resultado da
eleição”.
Por fim, Roma diz não acreditar na possibilidade de que uma terceira
via ganhe força na disputa. Para ele, a indefinição ideológica de
Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB, inviabiliza a conquista do voto
de eleitores polarizados entre dois projetos políticos.
Fonte: Carta Capital






















