domingo, 22 de novembro de 2009

MORRE UM SANTO



Por Douglas Yamagata

Dizem que quando político morre, vira santo. Eu não concordo muito com isso, mas tudo bem. No entanto, acho que agora a população de São Paulo vai poder ficar tranqüila, pois a morte de Pitta foi uma verdadeira “benção”. Nunca mais voltará aquele que nos últimos tempos, afundou a cidade de São Paulo.

Apesar de ter estudado na Inglaterra e em Harvard, a maior escola de Pitta foi na Secretaria de Finanças da prefeitura de São Paulo com Maluf, onde aprendeu lições de seu mentor de como “lidar” com as finanças públicas. Aliás, esta secretaria é uma das favoritas dos políticos, inclusive na minha cidade.

Em 1996, Pitta foi eleito prefeito de São Paulo pelo PPB, derrotando a candidata do PT, Luiza Erundina. Este foi um fato surpreendente, e uma das maiores injustiças já cometidas contra o paulistano. Enquanto Erundina se preocupou em colocar as “contas em dia”, Maluf e Pitta trataram de “re-afundar” as finanças da prefeitura.

O governo de Pitta foi marcado pela promessa do “fura-fila” e pelo escândalo dos “precatórios”.

O fura-fila é uma obra que prometia minimizar os problemas de trânsito de São Paulo, sendo propagandeado amplamente na campanha eleitoral de Pitta. Custou mais de R$ 1 bilhão, e a obra até hoje está incompleta.

O “escândalo dos precatórios” envolveu vários políticos: desde vereadores até secretários. O esquema tratava de emitir títulos públicos superfaturados para pagamento de precatórios do município. De R$ 1,5 bilhão arrecadado com a venda dos títulos públicos, apenas R$ 300 milhões foram utilizados para o pagamento de precatórios. O resto foi embolsado pela trupe de Maluf e Pitta.

No final do mandato, Pitta tinha treze ações civis públicas, e o valor das denúncias chegou a quase R$ 4 bilhões de reais. A dívida da cidade de São Paulo que no início da gestão era de R$ 9 bilhões, foi para R$ 18 bilhões ao final do mandato. Pitta teve um dos maiores índices de rejeição de todos os prefeitos que passaram pela prefeitura de São Paulo.

Depois disso, disputou eleições para deputado, mas não obteve “êxito”. Em 2004 foi preso por desacato à autoridade na CPI do Banestado. Em 2008, foi preso na Operação Satiagraha, onde logo em seguida conseguiu liminar pelo juiz Gilmar Mendes. No mesmo ano, foi procurado pela justiça por não pagar pensão alimentícia.

Finalmente em novembro de 2009 ele partiu e finalmente “virou santo”.

Afinal, depois de tantos “milagres”, não poderia deixar de ser “canonizado”.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O filho de FHC e o jornalismo bastardo




Por Altamiro Borges

A colunista Mônica Bergamo, uma das poucas ainda com alguma isenção na mídia hegemônica, confirmou nesta semana o que todos os jornalistas medianamente bem informados já sabiam: o ex-presidente “Fracassando” Henrique Cardoso teve um filho com a repórter Miriam Dutra, da poderosa TV Globo. Sem especular sobre os motivos desta curiosa revelação, o fato comprova que a imprensa brasileira é mais bastarda do que o filho ocultado há 18 anos por FHC.

Segundo a colunista, o ex-presidente finalmente decidiu assumir a paternidade de Tomas Dutra Schmidt. Ele teria viajado na semana passada para Madri, onde reside Miriam Dutra, para acertar a documentação. Eles tiveram um caso amoroso na década de 90, quando FHC era senador e ela trabalhava na sucursal brasiliense da TV Globo. Deste relacionamento extraconjugal nasceu, em 1991, o menino. Na época, FHC era casado com Ruth Cardoso, com que teve outros três filhos. Em 1992, Miriam Cordeiro deixou o Brasil, virando “correspondente” da TV Globo em Lisboa. Na sequência, ela se fixou em Madri, permanecendo totalmente “clandestina” na Europa.

As diferenças nos escândalos

Durante anos, o fato foi ocultado pela mídia hipócrita, a mesma que vive esculhambando a vida dos seus adversários políticos. Apenas a revista Caros Amigos desnudou o episódio numa edição de 2001, que teve como manchete: “Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo?”. Agora, confirmado o caso, a mídia volta a mostrar toda a sua parcialidade. O fato sumiu das manchetes e nem sequer aparece nas telinhas da TV – que atingem milhões de brasileiros. Na prática, a imprensa brasileira continua ocultando o curioso caso extraconjugal.

Bem diferente do comportamento adotado em outros casos – seja quando da separação de Marta Suplicy, ou na podridão contra a filha que Lula teve quando viúvo ou na mais recente campanha midiática contra Renan Calheiros, aliado de Lula, que o retirou da presidência do Senado. Neste último caso, a revista Veja criou a vinheta “Renangate”, estampou a manchete “As revelações de Mônica Veloso” e a chamada “Advogados de Renan apareceram com duas sacolas de dinheiro”. Será que, agora, a revista Veja dará capa para FHC, o amiguinho da famíglia Civita?

“Jornalismo vagabundo” de Josias de Souza

Também já surgem os colunistas de aluguel para abafar o caso. Josias de Souza, o mesmo que usou a estrutura do governo FHC para satanizar o MST, afirmou na Folha que a revelação não tem qualquer relevância. Como contestou o blogueiro Rodrigo Vianna, esta versão é canhestra. “O fato de FHC ter um filho fora do casamento tem relevância porque o filho é com uma repórter da TV Globo, que é concessionária de serviço público e tem influencia nos processos eleitorais”. Para ele, o silêncio da mídia nestes 18 anos revela todo seu poder de manipulação da opinião pública.

“As perguntas que devemos fazer são: por que a TV Globo aceitou ‘esconder’ Miriam Dutra na Europa? O que a Globo ganhou em troca? Como FHC pagava a pensão? Ou não pagava? São questões relevantes, sim, ao contrário do que tentam demonstrar alguns colunistas da (ex) grande imprensa”. No mesmo rumo, o blogueiro Luiz Carlos Azenha postou o artigo intitulado “A cara de pau de Josias de Souza (e o filho de FHC)”. Para ele, o badalado colunista da Folha omite as questões essenciais neste episódio, misturando casos para limpar a imagem do ex-presidente.

Bastardo no Dicionário Aurélio

“Por que a mídia poupou FHC durante 18 anos, se o nascimento do filho era um segredo de Polichinelo? Por que soubemos do filho de Renan Calheiros com uma jornalista quando a criança era bebê, mas do filho de FHC só soubemos ‘oficialmente’ depois de 18 anos? Por que soubemos da suspeita de que uma empreiteira ajudava a sustentar o filho bebê de Renan Calheiros, mas nada soubemos sobre quem pagou as contas do filho de FHC durante 18 anos? Quem pagou para manter o filho e a mãe do filho de FHC exilados na Europa durante 18 anos? FHC comprou o silêncio da mídia? A Globo recebeu vantagens para exilar mãe e filho na Europa? O senador FHC exilou mãe e filho para poder concorrer à Presidência?”, questiona Azenha.

Para ele, o artigo de Josias de Souza sobre o episódio “é um exemplo acabado de jornalismo vagabundo”. Pode-se dizer, também, que é um típico caso de “jornalismo bastardo”. Segundo o Dicionário Aurélio, bastardo, entre outros significados, é o “degenerado da espécie a que pertence”. O termo serve bem para qualificar a imprensa brasileira, que agride todos os padrões éticos do jornalismo, e o próprio FHC, que renegou o seu passado e o seu filho.

Fonte: Blog do Miro

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Covas, Alckmin e Serra derrubam PIB de São Paulo




São Paulo perde participação no PIB do país, diz IBGE

O Estado de São Paulo perdeu peso no PIB nacional, revelam dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira. Em 1995, São Paulo contríbuía com 37,3% de toda a economia brasileira. Em 2007, esse índice caiu 3,4 pontos percentuais e ficou em 33,9%. O ano de 2007 é mais recente que o IBGE dispõe em suas estatísticas. O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas no país.

A economia paulista perdeu participação na indústria geral e em serviços, mas ganhou na agropecuária. A indústria de transformação do Estado teve a maior perda (-4,3 pontos percentuais) dentre todas as 27 unidades da federação.

Segundo o IBGE, essa perda na indústria paulista ocorreu porque houve transferências de alguns setores industriais para outros Estados, com a migração de algumas fábricas para perto da matéria-prima ou do consumidor final. Além disso, também influíram no processo alguns incentivos fiscais para investimento industriais em outros Estados, avalia o instituto.

Não só São Paulo, mas toda a região Sudeste perdeu influência no PIB do país. Entre 1995 e 2007, a participação do Sudeste caiu de 59,1% para 56,4% (São Paulo liderou a queda na região). Já o Nordeste, no mesmo período, teve o maior avanço: de 12,0% para 13,1%.

Apesar da retração, São Paulo continua liderando de longe. Ele representa 33,9% do PIB, enquanto o segundo lugar, o Rio de Janeiro, tem 11,2%. No entanto, o Rio não perdeu nenhuma fatia: na comparação entre 1995-2007, o Estado fluminense ficou como estava (sua participação já era de 11,2% em 1995).

Em 2007, nove Estados, representando 54% do PIB brasileiro, cresceram acima da média (6,1%). Mato Grosso foi o que teve a maior alta: 11,3%.

Regiões

O Sudeste continua com a maior participação no PIB do país que, entre 1995 e 2007, caiu (-2,7 pontos percentuais) de 59,1% para 56,4%. O Centro-Oeste teve avanço: de 8,4% para 8,9%. O Sul também ganhou participação na série (0,4 pontos, de 16,2% para 16,6%).

O Estado que mais perdeu participação na indústria foi São Paulo (- 4,3 pontos percentuais) seguido pelo RS (-1,6 pontos). Grande parte dessa participação perdida distribuiu-se entre os outros seis Estados líderes da indústria nacional em 2007, além de Goiás, Espírito Santo e Pará.

Fonte: UOL

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Apagão: Sabotagem?



Por Douglas Yamagata


Para mim, a noite de terça-feira (10/11), foi uma noite quase normal. Lá pelas, dez e meia da noite me preparava para dormir, quando repentinamente as luzes começaram a piscar e apagou. Logicamente, temos umas velas na gaveta da cozinha e prontamente foram acesas. Como eu, milhões de brasileiros foram dormir e acordaram no dia seguinte tranqüilos, com luz em casa. Só fomos dar conta que se tratava de um apagão após os noticiários catastróficos criados e apresentados pelos telejornais.

Blecautes são normais em qualquer cidade, pois a companhia de energia sempre realiza reparos ou manutenções nas linhas. Inclusive, em nosso bairro são freqüentes estes blecautes – alguns deles superiores a 2 ou 3 horas. Portanto, a falta de luz é uma constante, seja devido aos imprevistos e acidentes, seja pela manutenção das linhas de energia.

O que mais me impressiona, é a capacidade dos telejornais em explorar o assunto, transformando o que é um problema simples em uma catástrofe de dimensão mundial. Mostram insistentemente os prejuízos no comércio, nos hospitais, o caos no metrô, a falta de ônibus etc. etc. etc... numa tentativa rápida de desqualificar o Governo Federal – justamente um dia após a apresentação de pesquisa onde a Dilma diminuiu em 8% a diferença para Serra. Aliás, alguns noticiários “forçam a barra” e promovem um aberto ataque pragmático anti-lulista, dizendo que o apagão se deve à isenção no IPI dos eletrodomésticos e outras baboseiras.

O pior é que a imprensa golpista quer sempre uma resposta rápida do governo, como se não fosse necessário uma análise técnica mais detalhada sobre o problema. Sutilmente, tendenciam as informações e colocam em dúvida as declarações do governo. Para esta imprensa golpista, é totalmente descartável a declaração final do governo federal que afirma que as razões foram as questões meteorológicas que derrubaram as transmissões em três locais do país (uma no Paraná e duas em São Paulo), mesmo sabendo que existem técnicos especializados que realmente entendem da situação.

Prefiro concordar com os técnicos do governo, mesmo por que não sou especialista no assunto.

No entanto, se esta não for a realidade, vamos arriscar um palpite (assim como a oposição faz em seus palpites pragmáticos). Vejamos esta lógica:

1º) Dilma Roussef é pré-candidata a presidente pelo PT e vem reduzindo a diferença nas pesquisas e diminuiu 8% em relação ao Serra na última pesquisa do Vox Populi;

2º) Popularidade de Lula cresceu: ele é o principal cabo eleitoral de Dilma;

3º) A oposição não tem mais aonde atacar e desqualificar o Governo Lula;

4º) O pré-sal referenda o crescimento do governo Lula no campo das Minas e Energias;

5º) Dilma Roussef foi ex-ministra das Minas e Energias e um apagão neste momento seria um prato cheio para a oposição desqualificá-la (como está sendo);

6º) Coincidentemente, duas das três retransmissoras de energia que geraram o apagão estão no Sudeste (São Paulo e Minas), cujo governador de São Paulo é o principal adversário de Dilma (José Serra);

7º) Em São Paulo, todo sistema de abastecimento de energia foi entregue à concessionárias do setor privado do país. Ou seja, existe uma proximidade do governo de São Paulo (PSDB) com estas concessionárias;

8º) O gasoduto Brasil-Bolívia passa por São Paulo e no mandato do Fernando Henrique tentaram construir termoelétricas através de empresas privadas nacionais e estrangeiras, mas não conseguiram;

9º) O Sudeste é a região mais populosa do país e possui dois pré-candidatos a presidente pelo PSDB (Serra e Aécio);

10º) A energia demorou 4 horas para retornar nos estados do Sudeste, e muito menos tempo no restante do país, como no Sul e Nordeste do Brasil;

Portanto, se as condições meteorológicas não forem as razões do apagão, não descarto a possibilidade de ter sido originado através de uma sabotagem orquestrada por oposições ao Governo Lula. Esta possibilidade deve passar pela cabeça de milhares de pessoas, mas ninguém toca no assunto. De qualquer forma, a atitude da imprensa golpista com relação ao problema já é uma sabotagem.

O projeto neoliberal, as oposições, a eleição presidencial e a imprensa golpista estão interligadas. Qualquer simples motivo, daqui pra frente, será de grande valia para aqueles que visam retornar à política do Estado mínimo. Preferem valorizar o problema e não reconhecer investimentos realizados em transmissão de energia, que foram na ordem de quase R$ 30 bilhões no Governo Lula. Se o “Speed” fosse estatal, a dimensão dada na época do “Apagão na Internet” teria sido monstruosa.

Se os índices de aceitação do Governo e de popularidade da Dilma continuarem a crescer, a oposição golpista começará a responsabilizar o Governo Lula pelas tempestades, chuvas e furacões. É só o que falta para oposição cair em total descrédito. Em 2010, precisam tomar cuidado para os raios que cairão em suas cabeças.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Câmara de Jundiaí. Democracia: “pero no mucho”!




Por Douglas Yamagata

Aprovado fim do voto secreto para os vetos do prefeito, mas quando se trata de participação popular...

Em sessão lotada ontem (10/11), a Câmara Municipal de Jundiaí aprovou a emenda à Lei Orgânica que acaba com o voto secreto. A partir de agora, todo o projeto que for vetado pelo Executivo (prefeito) terá que ser votado abertamente pelos vereadores. Estão exclusas as votações em processos de cassação do prefeito e de vereadores.

O fim do voto aberto permite que a população tenha poder de fiscalizar os projetos que estão sendo votados. É importante recordar que todo projeto quando é aprovado pela Câmara Municipal tem que ir para o Executivo (prefeito) para ser aprovado ou não. Se for aprovado pelo prefeito, o projeto vira lei e passa a vigorar. Caso haja veto (rejeição) pelo prefeito, o projeto tem que voltar à Câmara para ser submetido à votação para aprovar ou não o veto do prefeito. Se o veto do prefeito for aprovado, o projeto é rejeitado. Se o veto for rejeitado, o projeto é aprovado e passa vigorar em forma de lei.

Desta forma, o que ocorria era que quando o projeto era vetado pelo prefeito, muitos vereadores que anteriormente já haviam aprovado o projeto, acabavam depois aprovando o veto do prefeito, pois o voto para derrubada do veto era secreto.

Agora não tem mais como “esconder” o posicionamento de cada parlamentar, fazendo com que fique mais transparente à população. O voto aberto incentiva com que o parlamentar exponha mais as suas argumentações e faz com que o proselitismo, a demagogia e a hipocrisia sejam minimizados. As diversas chantagens existentes entre os poderes tendem a serem minimizadas.

Regulamentação de plebiscito

A sessão da Câmara de ontem, que poderia ser uma “festa à democracia”, foi arruinada pela manobra da mesa da casa, que inverteu a pauta, colocando por último o projeto de lei 10.189, de autoria do vereador Durval Orlato (PT), que regula o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular.

É de se perceber que quando se trata de projetos que tenham a participação popular, os vereadores da base governista fazem de tudo para impedir a aprovação. É notório que a inversão de pauta, colocando por último o projeto de regulamentação de plebiscito, foi justamente para esperar o esvaziamento da população que estava presente na Câmara Municipal.

No mesmo sentido, caminham as propostas de alteração de horário das sessões da Câmara Municipal, que atualmente começam às 09 horas da manhã. A proposta do PT é de que as sessões sejam à noite, período onde a participação da população pode ser maior. No entanto, os vereadores da base governista não tem interesse nesta proposta, uma vez que a participação dos eleitores ampliaria a pressão e a fiscalização sobre eles.

Assim caminha a Câmara de Jundiaí.

Democracia: “pero no mucho”!

domingo, 8 de novembro de 2009

O decadente Caetano Veloso



Por Douglas Yamagata

Certamente, as músicas de Caetano passaram de uma forma ou outra pela cabeça de qualquer brasileiro. Rompendo décadas desde os tempos da ditadura, suas músicas transformaram-se em hinos de resistência e protestos após os memoráveis festivais da Record, cujo glamour enfeitiçou vários cantores e músicos daquela época. Criou-se entorno de Caetano, uma figura política, contestadora, intelectual.

No entanto, foram poucos os cantores que se mantiveram ilesos ao tempo, frente à disputa mercadológica, sob efeito de novas tendências musicais. Muitos dos que conseguiram, foram com talento ou com oportunismo. E Caetano soube trabalhar este oportunismo, em nome da “música sem fronteiras”, da “busca de novas experiências”, refletindo na parceria com cantores de outros gêneros. Desta forma, Caetano rema insistentemente contra o tempo e pela sobrevivência artística, mesmo que as “parcerias” sejam umas “porcarias”.

A Rede Globo, sempre que é possível ressuscita Caetano, colocando-o para fazer uma pontinha aqui ou acolá, pra tentar minimamente perpetuá-lo. É uma maneira de consolar e dar guarida a um cantor condenado ao esquecimento.

Caetano quer chamar atenção. Em sua entrevista recente, diz que gosta do liberalismo inglês e que Lula é ignorante. Tais declarações são totalmente frustrantes, àqueles que sempre acharam Caetano como uma expressão da intelectualidade e da política no meio artístico. Simplesmente foi arrasador que em apenas uma entrevista, Caetano consiga destruir toda simbologia criada há décadas em torno de sua imagem, em torno de um sonho de liberdade.

Caetano não sonha mais. O sonho acabou. Parar de sonhar é um grande sintoma da decadência artística. Aquilo que há mais de 40 anos ele cantava, são apenas palavras ao vento. A decadência tem “lenço” (pra chorar) e “documento”: Caetano Veloso.

Ainda bem que ainda existam cantores como Gil e Chico.

Ainda bem...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Coisas que incomodam os tucanos (Parte 2)


Por Douglas Yamagata

Para quem gostou da parte 1 do "Coisas que incomodam os tucanos", é um prato cheio.

Os dados comparativos abaixo, foram literalmente “sugados” de um post do Blog do Nassif, enviado por Clóvis Campos no dia 04 de novembro e foi elaborado por um professor universitário.





Veja a comparação:

GOVERNO FEDERAL
DADOS: F H C x L U L A

RISCO BRASIL
FHC … 2.700 PONTOS
LULA … 200 PONTOS

SALÁRIO MÍNIMO
FHC …. 78 DÓLARES
LULA …. 210 DÓLARES

DÓLAR
FHC … R$ 3,00
LULA … R$ 1,78

DIVIDA COM O FMI
FHC … NÃO MEXEU
LULA … PAGOU

INDUSTRIA NAVAL
FHC … NÃO MEXEU
LULA … RECONSTRUIU

UNIVERSIDADES NOVAS
FHC … 2 (DUAS)
LULA … 10 (2 NA BAHIA)

EXTENSÕES UNIVERSITÁRIAS
FHC … NENHUMA
LULA …. 45 (3 NA BAHIA)

ESCOLAS TÉCNICAS
FHC … NENHUMA
LULA … 214

VALORES E RESERVAS DO TESOURO NACIONAL
FHC – 185 BILHÕES DE DÓLARES NEGATIVOS
LULA – 160 BILHÕES DE DÓLARES POSITIVOS

CRÉDITOS PARA O POVO – PIB
FHC … 14%
LULA … 34%

ESTRADAS DE FERRO
FHC … NENHUMA
LULA … 03 (EM ANDAMENTO)
NOTA: FHC privatizou (doou) todas as existentes.

ESTRADAS RODOVIÁRIAS
FHC … 90% DANIFICADAS
LULA … 70% RECUPERADAS

INDUSTRIA AUTOMOBILIÍSTICA
FHC … EM BAIXA 20%
LULA … EM ALTA 30%

CRISES INTERNACIONAIS
FHC … 04 ARRASANDO O PAÍS
LULA … NENHUMA PELAS RESERVAS ACUMULADAS

CÂMBIO
FHC … FIXO: ESTOURANDO O TESOURO NACIONAL
LULA … FLUTUTANTE: COM LIGEIRAS INTERVENÇÕES DO BACEN

TAXA DE JUROS SELIC
FHC … 27%
LULA … 11%

MOBILIDADE SOCIAL
FHC … 2 MILHÕES DE PESSOAS SAÍRAM DA LINHA DE POBREZA
LULA … 23 MILHÕES DE PESSOAS SAÍRAM DA LINHA DE POBREZA

EMPREGOS
FHC (em 8 anos) … 780 MIL EMPREGOS
LULA (em em 5 anos) … 11 MILHÕES DE EMPREGOS

INVESTIMENTOS EM INFRAESTRURA
FHC … NENHUM
LULA … 504 BILHÕES DE REAIS PREVISTOS ATÉ 2010

POLICIA FEDERAL
FHC … 80 PRISÕES – 28 megaoperações
LULA … 2.750 PRISÕES – 480 megaoperações

MERCADO INTERNACIONAL
FHC … SEM CRÉDITO PARA COMPRAR UMA CAIXA DE FÓSFORO
LULA … INVESTIMENT GREAT

ECONOMIA INTERNA
FHC … ESTAGNAÇÃO TOTAL COM DESINFLAÇÃO INERCIAL
LULA … INCLUSÃO DE CONSUMIDORES E SURGIMENTO DE INVESTIDORES.

REFORMAS POLíTICA, ADMINISTRATIVA, TRIBUTÁRIA
FHC – NENHUMA
LULA – NENHUMA

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Coisas que incomodam os tucanos



Por Douglas Yamagata

A oposição e os tucanos estão cada vez mais sem resposta ao Governo Lula e perdidos quanto às eleições 2010. Veja uma pequena lista das coisas que incomodam os tucanos:

Crise Mundial: Lula provou que no Brasil foi apenas uma “marolinha”.

Taxa Selic: As menores de todos os tempos. No final do mandato do Governo FHC era mais que 24%. Hoje é menor que 9%.

Bolsa: Batendo os 70.000 pontos. Recorde.

IPI: Redução à 0% e aumento no consumo de automóveis em plena “crise”.

Emprego: Previsão de contratações acentuadas até o final de 2009.

Reservas Cambiais: Liquidez em moeda externa pra enfrentar os problemas internos e externos.

Dívida externa: Enquanto o PSDB fez a dívida, o Governo Lula liquidou a dívida.

São Francisco: Obras essenciais à população nordestina que votou em Lula em 2006.

Bolsa Família: Governo Lula fez mais e melhor que o PSDB.

Pré-Sal: Irrita saber que não tiveram a competência de descobrir.

Copa do Mundo: Lula conseguiu trazer para o Brasil. A reboque virão os investimentos.

Olimpíadas: Lula conseguiu trazer para o Brasil. A reboque virão os investimentos.

Sarney: Provou que os tucanos e a oposição não tem força no Senado.

Lina: Mostrou-se uma marionete e mais mentirosa que qualquer um deles.

Tofoli: Será futuro juiz do STF por longos anos e causa tremor nos tucanos a possibilidade de ser presidente do TSE.

PMDB: Disse tchau tucanos! Agora é Dilma! Com o dobro do tempo na TV!

Ciro: Provável candidato ao governo de SP, e que incomoda Serra e Alckimin.

Dilma: Está tranqüila e provando que é a melhor sucessora ao presidente Lula. Suas aparições ao lado do presidente causa furor entre os tucanos.

Alckimin: Ameaçado por Aloísio Nunes internamente. Ameaçado por Ciro Gomes externamente. É o picolé de chuchu espremido. Ainda sofre a desmoralização com a perda da presidência e da prefeitura de São Paulo.

FHC: Sumiu e tornou-se a “herança maldita” dos tucanos. Como é que eles vão provar que o governo FHC foi melhor que Lula?

Aécio: Seria a melhor candidatura dos tucanos, mas o Serra não vai deixar. Se não sair candidato a presidente pelo PSDB, não fará campanha para o Serra.

Serra: Sua pré-candidatura a presidente não deslancha e virou a “mala sem alça” do grupinho de oposição (PSDB/DEM/PPS). Se não sair candidato a presidente pelo PSDB, não fará campanha para o Aécio. Talvez tente a re-eleição para o governo de SP, correndo o risco de também perder para o Ciro Gomes.

Resultado da Enquete: Você é favorável à proposta de um Hospital Regional em Jundiaí?

Empresários estão otimistas. E a oposição, pessimista.


A oposição ao governo Lula está ficando sem palavras, mediante as legítimas e competentes ações encontradas para a saída da crise. Não há mais palavras para atacar a política econômica adotada. Aliás, a oposição está ficando sem palavras para questionar quase tudo.

Veja o que diz o relatório da Confederação Nacional da Indústria de outubro de 2009. Extraído do relatório da Confederação Nacional da Indústria (ICEI 2009 Nº04 – Outubro). Vale lebrar que acima dos 50 pontos significa otimismo, de uma variação de 0 a 100 pontos.

Novo aumento no otimismo na indústria

O ICEI de outubro alcançou 65,9 pontos, acima dos níveis pré-crise. O resultado indica a consolidação do processo de recuperação do crescimento e aponta para a retomada dos investimentos.

O resultado indica a consolidação do processo de recuperação do crescimento e aponta para a retomada dos investimentos. O índice cresceu 7,7 pontos na comparação com julho de 2009 e acumula alta de 18,5 pontos desde janeiro de 2009, quando a confiança do empresário atingiu seu menor nível após o início da crise internacional.

O aumento do ICEI deve-se ao maior otimismo com relação aos próximos seis meses e, principalmente, à melhora nas condições correntes dos negócios.

Os executivos das grandes empresas registraram o maior aumento na confiança.

O índice das grandes empresas situou-se em 68,1 pontos (crescimento de 8,7 pontos na comparação com julho). O índice das médias empresas alcançou 65,9 pontos (crescimento de 7,4 pontos), enquanto o das pequenas atingiu 63,1 pontos (aumento de 6,9 pontos).

Empresários de todos os setores mostram-se confiantes.

A indústria extrativa e todos os setores considerados da indústria de transformação apresentaram índices superiores a 50 pontos. Além disso, a maioria dos setores registrou aumento do ICEI na comparação com julho (apenas o índice de Álcool manteve-se estável). Destacase o crescimento observado nos setores Couros; Metalurgia Básica; Limpeza e Perfumaria; e Papel e Celulose, com crescimento de 10 pontos ou mais.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aécio, indignado, se diz traído pela direção do PSDB


Por Mario Marona, do site brasiliaconfidencial.inf.br

O PSDB deve ser o único partido, em todo o mundo, que entra em crise com pesquisa a favor. Nesta sexta-feira, o governador Aécio Neves, que disputa com Serra a indicação tucana para concorrer à residência, nem se esforçou para esconder da imprensa a indignação com a direção nacional, que mandou o Ibope fazer mais uma de suas pesquisas heterodoxas. Nesta, pela primeira vez, submeteu ao entrevistado uma cartela com os nomes dos candidatos e dos possíveis companheiros de chapa. Seria apenas mais uma insólita novidade, não fosse pelo fato de que Aécio foi escolhido para aparecer na cartela como vice de Serra, hipótese que tira do sério o governador de Minas e seus seguidores.

Aécio acusou a direção nacional do PSDB de trai ção. A cúpula disse que não sabia de nada, porque a pesquisa teria sido encomendada por um tucano carioca exibido, que não consultou ninguém. Serra, na moita, gostou do resultado: ele teria 41% dos votos contra 17% de Dilma.

O episódio demonstra que a aliança oposicionista vive um momento difícil. A um ano da eleição, reaparecem divergências que costumam rachar o PSDB no caminho das urnas e que estavam represadas em favor da alternativa confortável de atacar o governo e sua précandidata. Bastou que Dilma se tornasse protagonista de articulações políticas que atrairam para o seu ninho quase uma dúzia de partidos e, com eles, o dobro do tempo do adversário no horário gratuito na televisão, para que a oposição desandasse.

Tucanos e democratas, do alto de seus supostos 40%, caíram em angústia, sofrimento e cava depressão. Alguns desabam em letargia, outros se tornam histéricos. Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, fazia lembrar um enlouquecido comissário Dreifuss sob o jugo do estabanado inspetor Closeau na série de filmes da Pantera Cor de Rosa. Desistiu de esconder que Aécio Neves é o candidato preferido dele e da maioria do DEM e fez saber aos tucanos que a hesitação de Serra pode levá-los a nova derrota e, no caso do ex-PFL, à ameaça de extinção.

O jovem democrata acordou a até então reprimida irritação tucana. Aécio cobrou a realização de um encontro da direção nacional do partido com ele e com Serra. Bastou uma mesa para quatro ocupada por apenas três – Aécio, Fernando Henrique e Sérgio Guerra. Serra, mesmo estando em São Paulo, participou por telefone – “mas era pelo viva-voz”, garantem os grão-tucanos.

Não podia dar certo. Aécio deu um ultimato ao partido. “Em dezembro, vou cuidar da minha vida”, ameaçou. “Não serei refém de Serra”. O que significa lançar-se candidato ao Senado por Minas Gerais e, com isso, obrigar Serra a sair do armário e assumir, sem chance de fuga, a condição de candidato à Presidência. Serra não deixou por menos: afirmou que está cansado de “não-responder se é candidato à presidência” e, de tão irritado, é capaz de revelar sua decisão, quando chegar a hora, via Twitter, do qual virou assíduo navegante nas suas madrugadas notívagas. E disse tudo isso pelo próprio Twitter, em menos de 140 caracteres.

E assim, com apenas 17% das intenções de voto, o governo entende que Dilma Rousseff vive o seu melhor momento como candidata, enquanto que, com o dobro disso, a oposição, nas palavras de Rodrigo Maia, “vive o pior dos mundos”. Só pode ser exagero, mas nos jornais de sexta-feira uma nota informava que o governo espera que Dilma cresça nas pesquisas e chegue a 20% em janeiro ou fevereiro, mas de maneira alguma se aproxime de 30%, porque isto poria Serra em fuga para uma candidatura à reeleição ao governo de São Paulo. E aí, menos por causa de Ciro Gomes do que pelo perfil “morde-assopra” de Aécio, a polarização buscada pelos governistas se tornaria mais difícil.

O “pior dos mundos” observado pelo presidente do DEM leva em consideração, por certo, as dificuldades que o candidato do PSDB pode ter justamente na região do país em que acredita ser capaz de assegurar a vitória: no Rio, o PSDB ficou sem palanque desde que Gabeira “marinou”; em Minas, não será surpresa se o eleitorado rejeitar Serra, como desagravo a Aécio, caso ele seja derrotado no partido; e em São Paulo, onde Serra deve viver “o melhor dos mundos”, a maior ameaça pode estar em seu próprio palanque, na possível omissão de Geraldo Alckmin. Sem contar a hipótese de Ciro Gomes virar candidato a governador apenas para atazanar a vida de Serra.

A direção tucana já anunciou que vai cancelar as prévias, o que deveria ser bom para Serra, que sempre foi contra a eleição interna. Mas significa, também, que a escolha do candidato pode ser antecipada. Neste cenário nebuloso, não surpreende a conclusão do editorial publicado pelo Estado de S. Paulo: “A oposição patina na definição de seu candidato para 2010 e frequentemente se mostra intimidada pelos 80% de aprovação popular ao presidente e o renovado clima de otimismo com a economia. Apenas a imprensa parece fazer sombra a Lula”.

Fonte: www.brasiliaconfidencial.inf.br

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Projeto de Lei pode prejudicar clientes de bancos em Jundiaí



Por Douglas Yamagata

A Prefeitura de Jundiaí enviou à Câmara Municipal projeto de lei complementar nº 881, que revoga quatro leis complementares que estão diretamente ligadas aos clientes e usuários de bancos. São elas: leis número 234, de 1997; 265, de 1998; 378, de 2003, e 380, do mesmo ano. Ao que parece, o projeto foi retirado momentaneamente para reavaliação.

Caso aprovado projeto (881/2009), a população ficará mais vulnerável à ação dos assaltantes e ao desconforto. A lei 234, obriga os estabelecimentos bancários a instalar sanitários e bebedouros. Já a lei 265, obriga as portas giratórias com detectores de metais e abertura para entrega de material detectado. A lei 378, obriga as agências a possuírem rampas e porta especial para deficientes, enquanto que a Lei 380, obriga os caixas 24 horas a possuírem insulfime.

Segundo justificativa da prefeitura, o Tribunal de Justiça de São Paulo alega não ser de competência da Prefeitura legislar sobre questões ligadas aos bancos.

A eventual revogação das leis é um retrocesso a todo avanço nas questões bancárias no município. Vale lembrar, que as portas giratórias praticamente acabaram com os assaltos a bancos em toda a cidade, conforme declaração da própria Polícia Militar.

Além disso, o Município tem a competência de legislar em assuntos de interesse local, como o previsto no artigo 30 da Constituição Federal. No entanto, ao que parece, os nossos gestores municipais preferem acatar os interesses dos banqueiros, ao invés de se preocupar com a segurança e o conforto dos clientes e usuários de bancos.

Sinceramente, o que impera é a falta de sensibilidade, inclusive do Tribunal de Justiça, que deveria se atentar para a responsabilidade social dos bancos e não apenas se preocupar com medidas legais que podem aniquilar conquistas de toda uma sociedade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Solidariedade ao Nassif




Do Blog do Nassif

A Abril consegue a primeira condenação

Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara – fui absolvido.

Pode haver apelação nas duas sentenças.

Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.

Não me intimidaram.

Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.

Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.

Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.

Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.

Mas no campo jornalístico, perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que uniu minhas filhas em defesa do pai.
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Notas (do Blog do Douglas Yamagata)

Nota: Toda minha solidariedade a este jornalista que tem a coragem de enfrentar a imprensa reacionária e golpista
Nota 2: Eu não leio a Veja nem em consultório médico. Muito menos no banheiro.

Hospital Regional: o “bode” da Saúde em Jundiaí


Por Douglas Yamagata

O destino da Casa de Saúde em Jundiaí hoje é complicado. A prefeitura querendo transformá-la em Hospital Regional e a Unimed querendo a posse o prédio. Enquanto tramita esta disputa, ouvimos a secretária Tânia Pupo dizendo que não há recursos para a implantação de um Hospital Regional, mesmo com o mega-orçamento bilionário da cidade de Jundiaí.

Recordo que além do fechamento da Casa de Saúde, houve também o fechamento do Hospital Maternidade que era localizada na Avenida Jundiaí, dando mostras do descaso à questão da saúde no município. Recordo também, as falhas ocorridas no Hospital Universitário, que inclusive resultaram em mortes de vários bebês, tendo sido noticiado amplamente nos meios de comunicação. Além disso, não temos em Jundiaí um grande Centro de Especialidades de qualidade, que é uma incoerência em se tratando de uma cidade com mais de 300 mil habitantes.

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) simplesmente é algo quase inexistente. Apesar de recursos repassados pelo governo federal (cerca de R$ 30 mil por mês), pouco se sabe do trabalho que o Cerest desenvolve. Não há capilaridade e sincronia do Cerest com as Unidades Básicas de Saúde, que deveriam orientar os trabalhadores a utilizá-lo.

Já o Hospital São Vicente, acaba atendendo toda a demanda regional, sendo que dentro das idas e vindas vive capengando, mas tem sobrevivido e cumprido a sua função.

Há tempos, defendemos a possibilidade de um hospital que atenda toda a demanda regional. Lembro-me inclusive de ter participado de vários debates a respeito do assunto capitaneados pelo PT e setores da sociedade. No entanto, muito se tem dito sobre a possibilidade, mas ao que parece o projeto não se concretiza.

Certamente, a administração de Jundiaí tem carregado este discurso em função dos fatos ocorridos à Casa de Saúde, cuja possibilidade de repasse à uma instituição privada foi motivo de protestos e comoção social. Acredito que esta situação de constrangimento foi a principal motivação para se propor a implantação de um Hospital Regional. Agora, a concretização do projeto transformou-se em um problema para prefeitura local que além de enfrentar dificuldades jurídicas, não vê perspectivas financeiras para cumprir o prometido. Além disso, conforme foi divulgado, a prefeitura não possui a quantia de R$ 20 milhões para serem investidos.

Colocou-se assim um “bode”, que a desastrosa administração tucana criou e que agora não vê solução. Soma-se a isso, a nítida falta de vontade política que permeia a prefeitura e o governo do Estado. Aliás, não tenho clareza se os outros prefeitos da região concordam com a proposta da prefeitura de Jundiaí.

No mais, não basta apenas que a cidade possua um Hospital Regional. É necessário também que as cidades da região tenham a iniciativa de buscarem recursos e construir seus próprios hospitais. Inclusive a discussão sobre saúde deve ser articulada e integrada com toda a região, e não, partindo de propostas vinculadas a apenas uma prefeitura. Só assim poderemos gerar melhorias no atendimento hospitalar e assegurar um bom atendimento à saúde em toda região. Caso contrário, continuaremos alimentando a demagogia e a hipocrisia, fruto do descaso e da incompetência dos gestores públicos.

Fonte: Jornal de Jundiaí

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A visão pessimista da Rede Globo sobre o Brasil



Extraído do Blog Bodega Cultural

Quem assiste aos telejornais da Rede Globo tem vontade de mudar de país. Ou de canal...

Segundo a visão derrotista da Globo, aqui nada presta, e todas as coisas ruins que acontecem são atribuídas ao governo de Luis Inácio Lula da Silva.

Vejam o que aconteceu com a prova do ENEM, por exemplo, que foi roubada da Gráfica da Folha de São Paulo, e nem a Globo nem outros veículos noticiaram o fato: dois larápios, a mando sei lá de quem, furtam a prova -- com o detalhe sórdido de esconderem na "cueca" -- e saem por ai tentando vende-la na certeza de que seriam pegos na primeira tentativa, disso eu não tenho dúvida. [...]

Bom, e para aumentar minha suspeita sobre a possibilidade de ter havido sabotagem, a Rede Globo começa e vincular o problema ao Governo Federal. Mandam seus leais repórteres terem com uma dúzia de filhotes de papais, todos inscritos em Faculdades Privadas, para opinarem sobre o fato.

Claro, todos disseram o que a Globo e os demotucanos queriam que falassem: que foram prejudicados pela anulação da prova, que não acreditam mais no sistema, que as novas provas caem exatamente no dia do vestibular, que isso que aquilo.

Depois, Renato Machado do Bom dia Brasil começa a ladainha: “quem sabe seremos o país do futuro com o pré-sal, quem sabe a Copa do Mundo de 2014 dê certo e quem sabe as Olimpíadas de 2016 sejam um sucesso” (vai depender do partido que esteja no Governo, claro) – “mas o futuro não foi escrito na cartilha de centenas de jovens e crianças numa comunidade de pequenos agricultores do Maranhão” (que a Globo vive querendo detonar juntamente com a bancada ruralista) – conclui a Renata Vasconcellos.

E mostram o estado de penúria da escola de pau a pique que jovens alunos frequentam, como se este problema fosse do Governo federal e não de Roseane Sarney, e que começou agora, e não há anos, inclusive durante os 8 anos de FHC. Por que ele não resolveu o problema?

Enquanto isso, a imprensa mundial se rende ao Brasil. Sabemos que muita coisa precisa melhorar, e, claro, isto só será possível se o Brasil se unir em torno da candidatura de Dilma Rousseff, para dar continuidade as políticas publicas implementadas no Governo Lula, que tem mudado a cara do Brasil tanto lá fora quanto aqui. Ufanismo à parte, hoje eu me orgulho de ser brasileiro.

Na Globo mudaram apenas a logomarca, o jornalismo continua o mesmo...decadente e golpista. Assistir aos telejornais desta emissora não me dá azia, me dá desespero.


Fonte: Blog Bodega Cultural

A Campanha Salarial dos Bancários 2009



Por Douglas Yamagata

Para Marx, o patrão capitalista irá sempre explorar os trabalhadores e sugar-lhes a força de trabalho a um custo mais baixo possível. Por outro lado, os trabalhadores sempre irão querer aquilo que lhes é de direito: melhores salários, condições de trabalho e condições de vida. Com todo antagonismo, a conciliação torna-se quase impossível, levando aos enfrentamentos de classes.

Em toda Campanha Salarial a organização sindical procura a negociação com o patrão. No entanto, nem sempre se chega a um acordo e o inevitável acontece: a greve.

A Campanha Salarial dos Bancários de 2009 contou com uma das mais longas greves dos últimos 15 anos, e uma das greves mais envolventes dos últimos tempos. No entanto, a categoria demonstrou força e organização, cuja participação foi fundamental para arrancar melhorias nas propostas oferecidas pelos banqueiros.

Como já era de se esperar, uma das principais argumentações dos banqueiros para não atender as reivindicações da categoria bancária foi a Crise Econômica Mundial. De fato, houve um aumento no número de inadimplentes, mas que não são justificativas aceitáveis para os bancários, que por sua vez, sabem da capacidade financeira de seus patrões em oferecerem propostas mais consistentes.

Os três maiores bancos do país, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil lucraram juntos, apenas no primeiro semestre, mais de R$ 12 bilhões (mais de R$ 4 bilhões cada apesar da crise). Ou seja, a continuar desta forma, a lucratividade de 2009 pode até ser superior à 2008, uma vez que a retomada do crescimento econômico no segundo semestre pode alavancar ainda mais estes lucros.

Outra questão a considerar são as recentes fusões e incorporações de bancos. Em plena crise os bancos adquirem outros bancos (e de grande porte), como se estivessem em uma feira livre. Ou seja, os banqueiros tem dinheiro para comprar bancos, mas argumentam dizendo que não tem dinheiro para dar aumento para seus funcionários. Aliás, disseram que o próprio gasto com a aquisição dos bancos era um argumento para não aumentar os salários dos bancários e atender suas reivindicações.

Com a fusão e concentração de bancos - ainda mais as recentes (Santander e Real, Itaú e Unibanco, Banco do Brasil e Nossa Caixa) - as reivindicações dos bancários ficam cada vez mais difíceis, considerando-se que o poder de decisão ficam nas mãos de poucos banqueiros.

Desta forma, os bancários chegaram à sua campanha salarial sabendo que o patrão tinha dinheiro para melhorar a sua condição e foram à greve mesmo sabendo das grandes dificuldades impostas pelos banqueiros.

Foi uma grande luta, onde praticamente bancários de todos os bancos aderiram à greve – uns mais, outros menos – mas todos deram sua cota.

Arrancamos um reajuste de 6%, que significa reposição de 4,5% de inflação e aumento real de salário de 1,5%. Além disso, os bancários irão receber 90% do salário mais R$ 1.024 e parcela adicional de até R$ 2.200. Houve também, a ampliação da licença maternidade para 180 dias para todas as mães bancárias. No Banco do Brasil, os reajustes serão até maiores, uma vez que haverá melhoria no Plano de Cargos e Salários, além de terem conquistado uma PLR onde divide entre todos 4% do Lucro Líquido do Banco do Brasil. Na Caixa Econômica Federal até o momento não há proposta de acordo.

Responsabilidade Social

Além de todas as reivindicações referentes à remuneração, os bancários pleiteiam também, melhores condições de trabalho, sobretudo na contratação de mais funcionários.

Lembram-se dos bancos? Econômico, BCN, Mercantil de São Paulo, Banespa, Nacional, Geral do Comércio, Sudameris, Noroeste, Meridional, Banerj – estes e outros bancos não existem mais! Foram todos comprados por outros bancos. No entanto, foram inibidores do emprego, gerando uma precarização no atendimento bancário. Ou seja, qual é a responsabilidade dos bancos com relação à sociedade? Praticamente nenhuma.

A bandeira da responsabilidade social soa como um novo marco das grandes empresas. No entanto, investe-se muito mais em publicidade do que efetivamente em gasto social, sobretudo nos bancos. Não basta plantar algumas árvores na Amazônia. Responsabilidade Social deve ser indutor da sociedade, com mais geração de emprego e renda, diminuição nas taxas de juros e melhorias no atendimento. Mas a linha adotada pelos bancos sobre o tema é apenas marketing mesmo.

Enquanto isso, os clientes ficam amargando minutos preciosos em filas de bancos, pagando tarifas para se auto-atender nos caixas de auto-atendimento e submetendo-se a taxas de juros exorbitantes.

Esses são os tempos modernos...

Obs: - Devido ao meu envolvimento na Campanha dos Bancários, deixei de atualizar este blog por muito tempo. Desculpem-me os atrasos.

domingo, 27 de setembro de 2009

São Camilo: a intolerância contra os moradores



Por Douglas Yamagata

Na semana passada, participando da greve da categoria bancária, conversei com um menor aprendiz que trabalha em uma agência bancária. Realmente ele lamentou a intransigência dos banqueiros e apoiou a greve da categoria. No entanto, lamentou ainda mais o fato de ter chegado atrasado na agência (mesmo estando em greve), pois é morador do Jardim São Camilo.

Dizia ele que os moradores estão descontentes com a abordagem da polícia. Todo dia, as pessoas saem constrangidas para trabalhar. Os homens são obrigados a descer do ônibus, onde são revistados e interrogados.

Naquele dia, o menor aprendiz dizia ter passado por esta “averiguação”. Revistaram-no e fizeram perguntas como: “Você usa drogas?” Ou ainda: “Você tem armas?”. Oras, convenhamos que qualquer inergúmeno que se preze não afirmaria que usa drogas ou que possui armas!!! Questionaram ainda se o menor aprendiz trabalhava. Ele respondeu que trabalhava em banco e mostrou o seu crachá. Os policiais retrucaram dizendo: “Mas o banco não está em greve?” – perguntando como se o menor estivesse mentindo ou se o crachá fosse falso.

No mesmo dia, conversei com outros moradores do São Camilo. Disseram que a polícia estava entrando em várias casas e barracos, revirando tudo à sua frente. Alguns me disseram que há uma longa insistência dos policiais na abordagem, cuja pressão psicológica não distingue suspeitos nem inocentes.

Existe muito bafafá na cidade. Os murmurinhos dizem que a ação da Operação Saturação que reúne algumas centenas de homens, se deve à ligação do PCC no tráfico e a sua articulação estratégica em Jundiaí. Outros dizem que se deve ao roubo de informações sigilosas de políticos famosos na região. Na realidade, as razões eu não sei.

No São Camilo, existe um problema que é o tráfico de drogas. Apesar de não entender nada de abordagem policial, vejo através dos relatos que existe certa intolerância para com os moradores. Vale lembrar, que a maioria dos moradores do São Camilo são pessoas de bem e trabalhadoras. Não sou advogado, e não entendo muito de mandados. No entanto, fica uma dúvida em minha cabeça: “Com que direito a polícia tem de invadir a casa das pessoas, revirar tudo e ir embora?”.

A polícia tem e deve capturar criminosos. No entanto, poderiam estudar métodos mais eficazes que minimizassem o constrangimento pelo qual as pessoas de bem são submetidas nas operações. Soma-se à atitude da polícia, o preconceito da sociedade, que criminaliza os bairros carentes e apóia qualquer tipo de repressão através de métodos que acham ser corretivos, sem levar em conta que lá residem trabalhadores e pessoas que possuem a sua dignidade como valor incontestável.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Toffoli causa urticária nos tucanos




Por Douglas Yamagata

Muito se tem comentado a respeito da indicação pelo presidente Lula do advogado Luiz Antonio Toffoli para compor o Supremo Tribunal Federal. A indicação tem causado incômodo, senão urticária em tucanos e demos de todo o país.

Por “coincidência ou não”, Toffoli foi condenado em 1ª instância na Justiça do Amapá, perto de sua indicação (08/09). No entanto, vale ressaltar que são três instâncias de julgamento e que ainda está na primeira.

Além disso, Toffoli não matou, não roubou e nem violentou ninguém. A sede de perseguição da mídia burguesa e tendenciosa veiculou como se assim fosse. A mídia desqualificou e equiparou Toffoli a um grande criminoso, deixando o recado de que não serve para ser juiz. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, já deu mostras de que a situação não deve interferir em sua nomeação.

O que tem de fato causado comichão nos tucanos é a relação profissional que Toffoli teve com o PT - pois foi advogado do partido em três campanhas eleitorais e atualmente pertence à Advocacia Geral da União.

Oras, se o Presidente da República tem a autonomia em nomear os juízes do STF, quem pode lhe tirar o direito de colocar as pessoas de sua confiança? Aliás, o atual presidente do STF, Gilmar Mendes, foi nomeado por Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, é um direito do Presidente da República indicar os ministros do STF.

Outra questão colocada pelos tucanos é de que Toffoli é despreparado para ocupar o cargo, dizendo que não tem mestrado, nem doutorado. Oras, se a capacidade de realizar qualquer coisa fosse vinculado a um diploma, o presidente Lula não teria sido presidente. Aliás, a elite tem a imensa mania de valorizar as pessoas pelo diploma, colocando um rótulo pragmático sobre elas. Desta forma, esta argumentação sobre a formação acadêmica de Toffoli nada mais é do que um pré-conceito tucano sobre as reais capacidades de um cidadão. As argumentações tucanas são no mínimo discriminatórias. Aliás, o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, afirmou que Toffoli é uma pessoa qualificada para compor a Corte.

Toffoli é a oitava indicação de um ministro do STF pelo presidente Lula. Dos onze ministros do STF, sete foram indicados pelo presidente Lula. O que causa preocupação aos tucanos é que um ministro do STF praticamente só permite vaga quando se aposenta ou por motivo de falecimento. Como Toffoli tem pouco mais de quarenta anos, podemos concluir que eles o terão que agüentar por muitos anos, aumentando ainda mais a urticária tucana.

sábado, 19 de setembro de 2009

IBGE revela que população está mais velha



Por Renata Camargo

Dados divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a população brasileira está envelhecendo. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2007 a 2008 o total de pessoas acima de 40 anos cresceu 4,5%.

A população acima de 60 anos também cresceu. De acordo com a pesquisa, em 2008, 21 milhões de brasileiros estavam nessa faixa etária, o que correspondia a 11,1% do total. Em 2007, o total de pessoas acima de 60 anos era de 19,7 milhões.

O Sul e o Sudeste são as regiões com número maior de pessoas acima dessa idade. A maior tendência para o envelhecimento ocorre nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Segundo a pesquisa, no Rio, 14,9% da população do estado tem 60 ou mais anos, enquanto no estado gaúcho esse percentual é 13,5% da população local.

É no Acre onde se encontra a população mais jovem. De acordo com a pesquisa, o estado acreano tem 11% de sua população com até 4 anos de idade, seguida de Roraima, com 10,1%, e do Amazonas, com 10,1%.

A região Norte é a que apresenta a estrutura etária mais jovem e foi a única em que o contingente de jovem superou de idoso. Segundo a pesquisa, Em 2008, 1,4 milhão de pessoas estava na faixa etária até 4 anos, enquanto 1,1 milhão.

Gênero e Cor

A pesquisa também revela que no país nascem mais homens do que mulheres. Mas, por motivos como violência e acidentes de trânsito, as mulheres vivem mais tempo que os homens. Isso faz com que a população feminina no país seja superior a população masculina.

Segundo a pesquisa, em 2008, dos 188 milhões de brasileiros que vivem no país, 51,3% eram mulheres e 48,7% eram homens. As mulheres sobressaem em número na faixa etária de 60 anos ou mais. Na faixa etária até 4 anos de idade, a maioria são homens.

O estudo mostra ainda que do total da população brasileira a maioria se autodenomina negro (pretos e pardos). Os estados do Norte e Nordeste são os que mais concentram pessoas negras: 76,1% e 70,1% do total da população, respectivamente. No Sul, 78,7% são brancos e no Sudeste 56,8% também se declaram brancos.

Confira outros resultados

Fonte: Congresso em Foco

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A marolinha, um ano depois



Por Ricardo Berzoini*

Os adversários se animaram. Pensavam que o governo Lula havia obtido sucesso por não ter enfrentado nenhuma crise internacional

Há um ano, o mundo era sacudido pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana.
Uma crise financeira e econômica se espalhou pelo planeta, travando o crédito e o comércio mundial. Depois da quebra do banco Lehman Brothers, US$ 25 trilhões em riquezas viraram pó em todo o mundo.

Os governos, com seus trilionários pacotes para evitar a falência do sistema, sepultaram a era do Consenso de Washington. Mesmo assim, milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza.

Nesse cenário de incertezas, os adversários do governo Lula ficaram animados. Pensavam que o governo havia obtido sucesso até então por não ter enfrentado nenhuma crise internacional, ao contrário de FHC, que sofrera os efeitos de três delas, bem menores. Tripudiaram quando o presidente Lula previu que a crise, para o Brasil, seria uma "marolinha", não um tsunami.

Lula assumiu a atitude de líder, pilotando pessoalmente as medidas de enfrentamento da crise e dirigindo-se à nação como quem vai à luta, não se deixando abater pela turbulência.

Em dezembro passado, no auge da crise, estimulou os brasileiros a continuarem consumindo, dentro de suas possibilidades. Colocou os bancos públicos para compensar a retranca dos bancos privados. Orientou a Petrobras a ampliar os investimentos, quando muitos diziam que o petróleo a US$ 30 inviabilizaria a exploração do pré-sal. Reduziu IPI, IOF e Imposto de Renda dos assalariados.

Lançou, no meio da crise, um poderoso programa de habitação popular, reconhecido pelos empresários e pelos movimentos sociais como a mais importante iniciativa do setor na história do Brasil.

Hoje, diante dos dados de recuperação da economia, é fato que o Brasil superou o impacto principal da crise e retoma a trajetória de crescimento interrompida no ano passado.

O Brasil deve ser um dos poucos países do mundo a fechar 2009 com PIB positivo. O mercado de trabalho aponta números claros: o Caged, cadastro do Ministério do Trabalho que só registra a movimentação de empregos formais, diz: nos 12 meses até junho de 2009, 390 mil empregos formais foram criados. Saldo positivo em plena crise.
Foi com um conjunto de medidas corajosas que conseguimos atravessar a crise em situação melhor do que a de muitos países. Graças ao fortalecimento de instrumentos do Estado, como bancos oficiais e empresas estatais, como a Petrobras, rompendo com a lógica neoliberal que imperou até 2002, o Brasil teve musculatura para enfrentar o furacão gestado no centro do capitalismo.

Ao agir prontamente, com todos os instrumentos públicos disponíveis, o governo pode conduzir o país com segurança no mar revolto da crise.

A cada medida tomada, uma crítica da oposição. A cada sucesso, mudança de mote. Ante as evidências da recuperação, os mesmos setores que vaticinaram a inevitabilidade do caos tentam mudar o enfoque, falando de deterioração fiscal do governo federal.

Querem eclipsar um fato: o governo Lula salvou o país do caos fiscal dos anos 1990 e, justamente pela ação fiscal anticíclica nos últimos 12 meses, nos permitiu fazer frente à crise, gastando bem menos que outros países.

Em seis anos, um conjunto de políticas sociais, tributárias, industriais, creditícias e de comércio exterior foi implementado. Nossas estatais foram fortalecidas. O PAC foi estruturado como indutor de investimentos públicos e privados.

Entre janeiro de 2003 e janeiro de 2009, o desemprego (Seade-Dieese) foi reduzido de 18,6% para 12,5% (redução de 33%). Foram gerados 7,7 milhões de empregos formais, sem falar nas ocupações da agricultura familiar e da economia familiar urbana e outros tipos de ocupação. Cresceu o emprego formal em relação ao informal. O salário mínimo teve um aumento real de 46% desde 2003, influenciando a pirâmide salarial.

Temos seis anos e nove meses de um governo que, gradual e cuidadosamente, fez e faz a transição para um novo modelo.

Há que reconhecer que falta muito que fazer, até porque a crise mundial não foi totalmente desfeita. É necessário retomar a velocidade de geração de empregos anterior à crise, acelerar os investimentos. Mas a lição que fica é que o deus mercado foi exorcizado, aqui e no exterior. Foi resgatado o papel do Estado como força reguladora e de estímulo à economia.

O neoliberalismo foi soterrado sob os escombros do muro de Wall Street. E o Brasil pode perceber, claramente, as diferenças entre os dois projetos que se sucederam na Presidência da República.

*RICARDO BERZOINI , 49, bancário, é deputado federal (PT-SP) e presidente nacional do partido. Foi ministro da Previdência (2003-2004) e do Trabalho (2004-2005).