sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Entre os aliados e o próprio partido

Para o cientista político, chapa puro-sangue ensaiada por José Serra consolaria pré-candidatos tucanos.


Passada mais uma semana, ainda não se sabe, ao menos oficialmente, as condições colocadas por José Serra para disputar a prefeitura de São Paulo. Uma delas, conforme o último burburinho, seria a possibilidade de concorrer numa chapa puro-sangue – o que sinalizaria que, com um candidato a vice tucano, Serra poderia, de novo, deixar o posto para alçar voos mais altos e deixar São Paulo sob o controle do partido.

Enquanto Serra não se decide, o tabuleiro da corrida eleitoral na maior cidade do País segue, consequentemente, incerto. Os cenários mudam conforme a movimentação dos atores – no caso, os pré-candidatos.

Fato é que, na opinião do cientista político Celso Roma, a candidatura do tucano será fatalmente um obstáculo às pretensões políticas de Fernando Haddad (PT).

Roma lembra que só a possibilidade de Serra entrar na disputa já fez a cúpula do PT repensar a estratégia para a campanha de Haddad.

Isso porque, se concorrer, entraria já com o apoio do governador Geraldo Alckmin e, muito provavelmente, do prefeito Gilberto Kassab.

A eleição em São Paulo, portanto, diz o especialista em partidos políticos, “projeta um cabo de guerra entre a administração municipal e estadual, de um lado, e, de outro, a administração federal”.

Para se candidatar, Serra teria de chegar sem pedir licença. Vale lembrar que, enquanto não se decide, quatro pré-candidatos ensaiam a realização de prévias que, no fim das contas, podem se revelar um mero simulado. Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Anibal (secretários do governo Alckmin) e o deputado federal Ricardo Tripoli são hoje, oficialmente, os pré-candidatos tucanos.

Para Roma, o cancelamento das prévias do PSDB pode frustrar uma parte dos líderes e demais filiados do partido. A consulta, avalia ele, serviria como incentivo à filiação e atrairia os filiados para dentro do partido – o que não é a tradição tucana, que desde 1988 vê apenas os líderes tomarem as decisões.

Por isso, a chapa pura do PSDB, segundo o analista, seria uma estratégia para justificar o cancelamento das prévias e diminuir o descontentamento de seus pré-candidatos e filiados.


O desafio, em consequência, seria reunir em torno dele os líderes do DEM e do PSD. O passo fortaleceria a oposição para a disputa da eleição presidencial de 2014. Mas, ao mesmo tempo, sinalizaria que foi abandonado o projeto de disputar a Presidência, abrindo a possibilidade de o PSDB começar a construir um consenso em torno da indicação de Aécio Neves para 2014.

Em compensação, Serra entraria na disputa como um dos candidatos mais fortes a abater no ar os planos petistas de conquistar a joia da coroa num reduto tucano. O maior desafio de Serra não seria convencer os paulistanos de que ele deseja conquistar e cumprir, na íntegra, o mandato de prefeito.

Segundo Roma, os índices de rejeição ao nome de Serra apontados em pesquisas de opinião precisam ser relativizados.

A rejeição é explicada, segundo ele, pela polarização entre o PSDB e o PT em São Paulo. Para Roma, se a senadora petista Marta Suplicy estivesse na disputa, também constaria da lista dos candidatos mais rejeitados pelos paulistanos.

Enquanto isso, a plataforma petista, que passava do flerte a caso sério com o PSD de Kassab, começa a se desenhar com outros contornos.

Uma coisa é certa: a federalização do debate fatalmente levará ao palanque dois projetos de poder. Roma prevê que Haddad subirá para as primeiras colocações assim que começar o horário eleitoral. É quando o eleitor saberá que seu principal cabo eleitoral é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda assim, Roma avalia que a disputa será dura: “A opinião do ex-presidente Lula influencia grande número de paulistanos, mas a opinião dele ainda não é o suficiente para definir o resultado da eleição”.

Por fim, Roma diz não acreditar na possibilidade de que uma terceira via ganhe força na disputa. Para ele, a indefinição ideológica de Gabriel Chalita, pré-candidato do PMDB, inviabiliza a conquista do voto de eleitores polarizados entre dois projetos políticos.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Estatuto do jovem avança com acordo PSOL-DEM e derrota da UNE

Estatuto do jovem avança com acordo PSOL-DEM e derrota da UNE Projeto passa por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue à de Assuntos Sociais. Relatório de Randolphe Rodrigues (PSOL-AP) garante cotas de meia entrada em espetáculos, mas na última hora é alterado e impede que UNE tenha monopólio para emitir carteirinhas. PSDB e DEM queriam impedir fortalecimento da entidade, simpática ao governo.

 Do Site Correio do Brasil

Brasília – Com um plenário lotado de estudantes, o Estatuto da Juventude foi aprovado, nesta quarta-feira (15), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, depois de um acordo entre PSOL e DEM. E com um recuo de última hora do relator que derrotou tentativa da União Nacional dos Estudantes (UNE) de fortalecer-se institucionalmente com monopólio para emitir carteirinha de meia entrada.

A exclusividade para confecção do documento foi o ponto mais polêmico da votação, que durou mais de três horas. O relator, Randolphe Rodrigues (PSOL-AP), havia aceitado uma proposta da UNE de dar a ela exclusividade no serviço, só compartilhada com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e com a Associação Nacional de Pós-Graduandos.

Era uma forma de garantir unidade política o movimento estudantil e, ao mesmo tempo, mais fonte de receita – o que também implicaria mais poder político -, já que a emissão da carteirinha é paga.

Os líderes do PSDB, Álvaro Dias (PR), e do DEM, Demóstenes Torres (GO), eram contra o monopólio e agiram para impedir que prosperasse. Ambos pertencentes a partidos de oposição ao governo Dilma, com quem a UNE tem uma relação simpática e mais próxima (embora a relação com o governo Lula fosse melhor), Dias e Demóstenes queriam impedir o fortalecimento da UNE.

Minutos antes da votação final, o relator desistiu de insistir no uso do termo “exclusivamente”, no que diz respeito às entidades que podem emitir carteirinha, e aceitou trocá-lo por “preferencialmente”.

Apesar dessa derrota específica, a UNE conseguiu uma vitória com a aprovação de um relatório que define regras mais claras sobre como os jovens vão usufruir o direito à meia entrada.

O parecer de Randolphe Rodrigues determina que deve haver cotas de 50% destinadas aos jovens com direito a desconto em todos os espetáculos financiados com dinheiro do Programa Nacional de Cultura. E de 40% nos demais. Não havia essa cota explícita no texto aprovado pelos deputados.

A meia entrada era um dos pontos mais polêmicos da votação. Outro era o recorte etário que define quem é jovem e se encaixa no Estatuto. O texto dos deputados e o parecer de Rodrigues definem como sendo pessoas de 15 a 29 anos.

Demóstenes Torres, que o DEM diz ser um potencial candidato do partido a presidente da República em 2014, diz achar um “absurdo” considerar alguém jovem com 29 anos. Ele queria que o recorte fosse de 18 a 21 anos. Acabou derrotado neste ponto.

O demista tinha apresentado, aliás, um relatório alternativo ao de Randolphe Rodrigues, o que poderia mais uma vez barrar a votação do projeto na CCJ. Mas um acordo entre ambos, no início da sessão, garantiu que não haveria mais adiamento.

O texto segue agora para uma outra comissão do Senado analisar, a de Assuntos Sociais.

Fonte: Correio do Brasil

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Blogueira Yoani Sánchez é colaboradora do Instituto Millenium

Blogueira cubana integra grupo de colaboradores do instituto financiado pelos grupos midiáticos Estado de São Paulo, Abril e RBS, entre outras empresas, para defender valores liberais no Brasil. Na página da entidade, Yoani Sánchez desfruta a companhia de articulistas como Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Ali Kamel, Merval Pereira, Marcelo Madureira, Carlos Alberto Sardenberg e Carlos Alberto Di Franco, um dos integrantes mais ilustres da Opus Dei no Brasil.

Do Site Carta Maior

A blogueira cubana Yoani Sánchez é colaboradora do Instituto Millenium, entidade financiada por um grupo de grandes empresas de comunicação (Estado de São Paulo, Abril e RBS) e de outros setores (Gerdau, Vale, Suzano, entre outras), para defender os valores liberais no Brasil. Entre eles, segundo informa o site da entidade, destacam-se a eficiência, a economia de mercado, a responsabilidade individual, a propriedade privada e a meritocracia.

Apresentada como webmaster, articulista, editora do portal “Desde Cuba” e criadora do site “Generación Y”, Yoani Sánchez faz parte do seleto grupo de colaboradores do Millenium que reúne nomes como Reinaldo Azevedo, Denis Rosenfield, Ali Kamel, Merval Pereira, Marcelo Madureira, Carlos Alberto Sardenberg e Carlos Alberto Di Franco, um dos integrantes mais ilustres da Opus Dei no Brasil.

Apesar de se apresentar como “apartidário”, o Instituto Millenium teve uma participação ativa na campanha presidencial de 2010 no Brasil. Em março daquele ano, em seminário promovido pelo instituto em São Paulo, representantes de grandes empresas de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia e que, se Dilma fosse eleita, o “stalinismo seria implantado no Brasil”. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, disse na época o ex-cineasta Arnaldo Jabor. 

Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Governo Alckmin é condenado a indenizar família negra por Racismo



Material distribuído por professora da Rede Pública a alunos associava a cor negra ao demônio; indenização será de R$54 mil a família que se sentiu atingida

Do PT Blog

Por Fernando Porfírio

O governo paulista foi condenado por disseminar o medo e a discriminação racial dentro de sala de aula. A decisão é do Tribunal de Justiça que deu uma “dura” no poder público e condenou o Estado a pagar indenização de R$ 54 mil a uma família negra. De acordo com a corte de Justiça, a escola deve ser um ambiente de pluralidade e não de intolerância racial.
O Estado quedou-se calado e não recorreu da decisão como é comum em processos sobre dano moral. O juiz Marcos de Lima Porta, da 5ª Vara da Fazenda Pública, a quem cabe efetivar a decisão judicial e garantir o pagamento da indenização, deu prazo até 5 de abril para que o Estado dê início à execução da sentença.

O caso ocorreu na capital do Estado mais rico da Federação e num país que preza o Estado Democrático de Direito instituído há quase 24 anos pela Constituição Federal de 1988. Uma professora da 2ª série do ensino fundamental, de uma escola estadual pública, distribuiu material pedagógico supostamente discriminatório em relação aos negros.

De acordo com a decisão, a linguagem e conteúdo usados no texto são de discriminatórias e de mau gosto. Na redação – com o título “Uma família diferente” – lê-se: Era uma vez uma família que existia lá no céu. O pai era o sol, a mãe era a lua e os filhinhos eram as estrelas. Os avós eram os cometas e o irmão mais velho era o planeta terra. Um dia apareceu um demônio que era o buraco negro. O sol e as estrelinhas pegaram o buraco negro e bateram, bateram nele. O buraco negro foi embora e a família viveu feliz.

O exercício de sala de aula mandava o aluno criar um novo texto e inventar uma família, além de desenhar essa “família diferente”. Um dos textos apresentados ao processo foi escrito pela aluna Bianca, de sete anos. Chamava-se “Uma Família colorida” e foi assim descrito:

“Era uma vez uma família colorida. A mãe era a vermelha, o pai era o azul e os filhinhos eram o rosa. Havia um homem mau que era o preto. Um dia, o preto decidiu ir lá na casa colorida.Quando chegou lá, ele tentou roubar os rosinhas, mas aí apareceu o poderoso azul e chamou a família inteira para ajudar a bater no preto. O preto disse: - Não me batam, eu juro que nunca mais vou me atrever a colocar os pés aqui. Eu juro. E assim o azul soltou o preto e a família viveu feliz para sempre”.

A indenização, que terá de sair dos cofres públicos, havia sido estabelecida na primeira instância em R$ 10,2 mil para os pais do garoto e de R$ 5,1 mil para a criança, foi reformada. Por entender que o fato era “absolutamente grave”, o Tribunal paulista aumentou o valor do dano moral para R$ 54 mil – sendo R$ 27 mil para os pais e o mesmo montante para a criança.

De acordo com a 7ª Câmara de Direito Público, no caso levado ao Judiciário, o Estado paulista afrontou o princípio constitucional de repúdio ao racismo, de eliminação da discriminação racial, além de malferir os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

“Sem qualquer juízo sobre a existência de dolo ou má-fé, custa a crer que educadores do Estado de São Paulo, a quem se encarrega da formação espiritual e ética de milhares de crianças e futuros cidadãos, tenham permitido que se fizesse circular no ambiente pedagógico, que deve ser de promoção da igualdade e da dignidade humana, material de clara natureza preconceituosa, de modo a induzir, como induziu, basta ver o texto da pequena Bianca o medo e a discriminação em relação aos negros, reforçando, ainda mais, o sentimento de exclusão em relação aos diferentes”, afirmou o relator do recurso, desembargador Magalhães Coelho.

Segundo o relator, a discriminação racial está latente, “invisível muitas vezes aos olhares menos críticos e sensíveis”. De acordo com o desembargador Magalhães Coelho, o racismo está, sobretudo, na imagem estereotipada do negro na literatura escolar, onde não é cidadão, não tem história, nem heróis. Para o relator, ao contrário, é mau, violento, criminoso e está sempre em situações subalternas.
“Não é por outra razão que o texto referido nos autos induz as crianças, inocentes que são, à reprodução do discurso e das práticas discriminatórias”, afirmou Magalhães Coelho. “Não é a toa que o céu tem o sol, a lua, as estrelas e o buraco negro, que é o vilão da narrativa, nem que há “azuis poderosos”, “rosas delicados” e “pretos” agressores e ladrões”, completou.
O desembargador destacou que existe um passado no país que não é valorizado, que não está nos livros e, muito menos, se aprende nas escolas.

“Antes ao contrário, a pretexto de uma certa “democracia racial”, esconde-se a realidade cruel da discriminação, tão velada quanto violenta”, disse. Segundo Magalhães Coelho, na abstração dos conceitos, o negro, o preto, o judeu, o árabe, o nordestino são apenas adjetivos qualificativos da raça, cor ou região, sem qualquer conotação pejorativa.

“Há na ideologia dominante, falada pelo direito e seus agentes, uma enorme dificuldade em se admitir que há no Brasil, sim, resquícios de uma sociedade escravocrata e racista, cuja raiz se encontra nos processos históricos de exploração econômica, cujas estratégias de dominação incluem a supressão da história das classes oprimidas, na qual estão a maioria esmagadora dos negros brasileiros”, reconheceu e concluiu o desembargador.

Fonte: PT Blog

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Alckmin destroi 3 vezes mais lares no Pinheirinho do que Israel faz com palestinos

Do Blog Amigos do Presidente Lula

Israel vive uma guerra com a Palestina, e no ano de 2011, o exército israelense demoliu 622 domicílios de palestinos, desalojando cerca de 1.000 pessoas.

O governador tucano Geraldo Alckmin, junto com seu correligionário prefeito Eudardo Cury, conseguiram numa tacada só, a proeza de destruir quase 3 vezes mais lares, exterminando o bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos. Foram cerca de 6.000 pessoas desalojadas, e 1.700 casas.



Fonte: Amigos do Presidente Lula

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Deputado quer dar a eleitores direito de pedir urgência para votações no Congresso

Proposta de Dr. Rosinha (PT) permite que população peça mais rapidez para projetos de lei



O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para permitir que os cidadãos escolham os projetos de lei que devem ser votados com urgência pelo Congresso. O objetivo do parlamentar é aumentar a participação dos eleitores na atividade legislativa, ampliando a sintonia entre a população e seus representantes em Brasília.

"Permitir que o cidadão proponha o regime de urgência indica para o Congresso quais são os temas e projetos que a população entende como as mais importantes", avalia o deputado.
Para Dr. Rosinha, a participação dos eleitores no processo de elaboração e discussão das leis "é limitada". Ele revela que enfrentou resistência de outros deputados enquanto colhia assinaturas para seu projeto. "Alguns parlamentares disseram que não apoiariam a proposta porque acreditavam que perderiam parte de seu poder", diz.
O regime de urgência dispensa prazos e formalidades regimentais, e permite que uma proposta seja votada com mais rapidez. Atualmente, o requerimento só pode ser apresentado com assinaturas de 1/3 dos parlamentares ou 2/3 dos integrantes da comissão que avalia o projeto de lei. Depois disso, precisa ser aprovado pelo plenário.
Segundo o projeto de Dr. Rosinha, será possível requerer a urgência a partir da assinatura de dez mil eleitores. A PEC ainda será examinada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Se aprovado, o texto será analisado por uma comissão especial e, em seguida, votado no plenário.
Em entrevista ao estadão.com.br, o deputado defende um diálogo entre cada parlamentar e seus eleitores, para que os interesses dos brasileiros sejam representados corretamente no Congresso. "Por mais vontade que cada deputado ou senador tenha, a representação da vontade do eleitor é sempre insuficiente", avalia.
Como a proposta de urgência pode atender aos interesses dos cidadãos?Há casos em que um projeto de grande interesse da sociedade fica engavetado por anos ou fica preso em uma tramitação muito lenta. Foi o caso do Estatuto das Cidades, que teve grande mobilização dos movimentos de reforma urbana, mas demorou dez anos para ser votado - e só por acordo. Permitir que o cidadão proponha o regime de urgência ampliaria a sua capacidade de participação direta nesse processo, indicando para o Congresso quais são os temas e projetos que a população entende como as mais importantes.
O regime de urgência já existe. Ele não atende aos interesses da sociedade?Essa ferramenta atende a dois interesses: representa a urgência do País, quando necessário, mas também representa a urgência pessoal e política. Sem forças políticas suficientes, mesmo que o regime de urgência tenha sido aprovado, o projeto pode ficar até quatro anos sem votação. Se a urgência partir de uma iniciativa popular, vai ficar muito mal para os parlamentares se não houver uma votação mais rápida. O deputado deve prestar contas ao eleitor.
O sr. espera encontrar dificuldades na votação dessa PEC?Vai ser difícil se não houver uma mobilização favorável à proposta. Quando fui pedir assinatura para alguns parlamentares para apresentar a proposta, alguns disseram que não a apoiariam porque acreditavam que perderiam parte de seu poder. Isso não acontece, porque o deputado ou o senador continuará responsável pela votação do projeto.
Em geral, falta participação direta dos eleitores do processo de elaboração, discussão e votação das leis?Atualmente, essa participação é limitada. Nós temos uma democracia indireta, em que o parlamentar é o representante do eleitor. Por mais vontade que esse deputado ou senador tenha, a representação da vontade do eleitor é sempre insuficiente. Temos meios tecnológicos e eletrônicos que poderiam aumentar essa representatividade popular, permitindo que o povo faça escolhas por si, sem que seu deputado precise fazer por ele. É o caso dos referendos e dos plebiscitos, que o Brasil usa muito pouco.
Existem outras iniciativas para que o eleitor participe ativamente do processo de elaboração de leis?Há cerca de um ano apresentei uma proposta para agilizar a coleta de assinaturas para os projetos de lei de iniciativa popular. Atualmente, é preciso ter 1 milhão para apresentar o texto ao Congresso. Proponho que bastem 100 mil assinaturas para dar entrada com o projeto. A partir daí, a Câmara ou o Senado passariam a divulgar essa proposta, e colete assinaturas eletronicamente até que se atinja o número de 1 milhão.
Os parlamentares são abertos ao diálogo com seus eleitores e levam em conta sua opiniões sobre os assuntos em votação?Acredito que mais da metade é aberta ao diálogo - em torno de 60% a 70%. Todos são abertos ao diálogo durante a campanha eleitoral, mas, no exercício do mandato, de 30% a 40% não mantêm contato com a população. Esse diálogo não é fácil, porque implica em uma participação constante em meios eletrônicos - como o Twitter, o Facebook e o e-mail - e em um grande número de viagens e reuniões.
É possível aumentar a participação popular no processo legislativo com o uso da internet?Sim. Seria possível até fazer eleições e votações importantes pela internet, dentro da casa de cada cidadão. Mas existem riscos. Com essa pulverização, grupos de eleitores poderiam ficar vulneráveis a organizações do crime organizado, que poderiam obrigá-los a votar em um candidato ou fazer determinada escolha.
Fonte: Estadão

Brasil aplica "capitalismo de Estado", diz "The Economist"




A reportagem de capa da última edição da revista britânica "The Economist", lançada nesta quinta-feira, comenta sobre a ação do governo brasileiro em empresas e o crescimento das corporações nas chamadas economias de "capitalismo de Estado".

A revista, cuja manchete é "O crescimento do capitalismo de Estado", informa que o país, que passou por uma "abrangente privatização nos anos 1990", agora está interferindo em decisões da Vale e da Petrobras e "convencendo empresas menores a formar grupos campeões nacionais". A publicação revela que a África do Sul "flerta" com o modelo brasileiro.

De acordo com a matéria, os países do BRICS, que, além do Brasil, é composto por China, Índia, Rússia e África do Sul, "não estão promovendo apenas mudanças duras de infraestrutura, mas também na infraestrutura de corporações nacionais".

CAPITALISMO DE ESTADO

"The Economist" ressalta que os sustentadores do "capitalismo de Estado" argumentam que é possível prover estabilidade e crescimento ao mesmo tempo e que o sistema só pode ser dirigido por um Estado competente.

A reportagem revela que a relação com a cultura mandarim ajuda os países asiáticos a desenvolver a boa administração do Estado, mas não é vista no Brasil e na África do Sul, que também estão incluídos no grupo dos emergentes.

O texto ressalta que os países que aplicam esse modelo, especialmente a China, "não veem problemas em manter a mistura entre o Estado e as empresas" e questiona o sucesso do modelo e as perspectivas para os mercados emergentes.

A reportagem ainda compara a expansão da China e de outros países em desenvolvimento com a explosão japonesa na década de 1950, o crescimento alemão de 1870 e os Estados Unidos após a independência.

Fonte: Folha.com

Anonymous derruba site do FBI após fechamento do Megaupload



Hacktivistas conduzem guerra cibernética desde o começo da noite, em retaliação ao fechamento do Megaupload pelo governo americano.

São Paulo - Após 3 horas de operação em retaliação ao fechamento do site Megaupload nesta quinta-feira, o grupo de hackers Anonymous derrubou o site do FBI, nos Estados Unidos.

O endereço está fora do ar desde as 22h50, e a conquista foi comemorada no perfil do grupo no Twitter: "FBI Tango Down!", anunciou um dos posts.

Era o objetivo principal da verdadeira guerra cibernética que os hacktivistas começaram no início da noite, um contra-ataque diante da retirada do site de compartilhamento de arquivos do ar pelo governo americano.

#OpMegaupload ou #OpPayback

Os outros alvos, derrubados mais cedo também em retaliação, foram os endereços da Universal Music, Departamento de Justiça, Associação das Gravadoras (RIAA) e Associação Cinematográfica (MPAA) dos Estados Unidos.

Segundo os perfis que noticiam e comemoram a ação, que está sendo chamada de #OpMegaupload ou #OpPayback, este é "o maior ataque já feito alguma vez pelo Anonymous", com 5.635 participantes. Os hacktivistas estariam usando “Loic”, um programa de código aberto utilizado para ataques de negação de serviço DDoS. Por enquanto não há informações sobre novos alvos.

Fonte: Exame

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Transparência e participação política em São Paulo têm a pior avaliação, mostra pesquisa


Cresce parcela de paulistanos que querem deixar a capital. Sensação de insegurança também sobe.

Por Anselmo Massad,
da Rede Brasil Atual

São Paulo – O percentual de paulistanos que gostaria de deixar a cidade é de 56%, mostra pesquisa divulgada nesta quarta-feira (18) pela rede Nossa São Paulo. O levantamento é realizado anualmente desde 2008 pelo Ibope Inteligência, para avaliar a opinião da população sobre serviços públicos, qualidade de vida e a cidade de maneira geral. São incluídos itens do Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), formulados pela organização para avaliar a atuação do poder público e seus efeitos sobre a cidade.


A pergunta sobre deixar ou não São Paulo é incluída desde 2009 e, apesar de ter se mantido acima da metade em todas as edições, havia recuado no levantamento anterior. 
Somam 42% os que não deixariam o município. A pesquisa foi realizada de 25 de novembro a 12 de dezembro com 1.512 participantes de 16 anos ou mais. O intervalo de confiança é de 95% e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.


Em uma lista de questões sobre qualidade de vida, a transparência e a participação pública continuam a receber a pior nota entre os entrevistados (3,5 em uma escala de zero a 10). Acessibilidade para pessoas com deficiência (3,9) e desigualdade social (4,0) aparecem a seguir. As áreas mais bem avaliadas são relações humanas (nota 6,8) e religião e espiritualidade (6,4). Itens como trabalho, sexualidade e consumo também aparecem acima da média de 5,5.


O elevado número de pessoas com desejo de deixar São Paulo pode ter explicação em fatores como o crescimento da sensação de insegurança. Em 2010, 24% consideravam a cidade "nada segura" para se viver, parcela que subiu para 25% em 2011.


Somadas as respostas de entrevistados que consideram a cidade pouco seguro e nada seguro, a parcela chega a 89%. Os maiores temores são de assalto e roubo (69%, 10 pontos percentuais a mais do que em 2010), seguido de violência em geral (67%). O tráfico de drogas é temido por 43%.

A saúde é um serviço público usado por mais pessoas (74%) do que a educação (52%). A busca por ensino público sofreu redução de cinco pontos percentuais em relação ao levantamento de 2010. As mulheres procuram mais esses equipamentos do que os homens, padrão que se mantém nos quatro levantamentos realizados até agora.



Têm plano de saúde 32% dos entrevistados, enquanto 66% dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). O tempo médio de espera para atendimento para consultas no serviço público é de 52 dias (ante 61 no ano anterior), 65 para exames e 146 para procedimentos complexos. Entre os usuários de clínicas e hospitais privados, a demora é 15 dias para consultas e 17 para exames e 39 para procedimentos mais complexos.


São 70% os paulistanos que usam ônibus diariamente gastando, em média 22 minutos no coletivo. Apenas 6% passam seis minutos ou mais no deslocamento cotidiano.


A íntegra do estudo pode ser acessada aqui.


Fonte: Rede Brasil Atual

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O buraco do Jardim do Lago

Cratera abandonada pela Prefeitura de Jundiaí
Descaso da Prefeitura de Jundiaí causa transtornos no trânsito da região


Por Douglas Yamagata


Dando continuidade a política de precarização das vias de Jundiaí, os moradores da região do Jardim do Lago agora contam com um problema inédito na principal avenida do bairro: uma cratera no asfalto na Avenida Professora Leonita Faber Ladeira.


Os moradores não sabem a razão pelo qual o buraco foi aberto à quase uma semana, mas o buraco continua no mesmo lugar e aumentando com as chuvas de janeiro. O problema maior é que a cratera fica em uma curva, onde posteriormente a avenida encontra-se com a outra grande avenida do bairro que é a Avenida Doutor Nelson Villaça.


Motoristas precisam desviar do buraco em plena curva
Os motoristas que vêm no sentido da Av. Dr. Nelson Villaça não enxergam o obstáculo, e quando fazem a curva se deparam com o buraco. Não são poucos os casos em que os veículos caem no buraco, ou mesmo, quase colidem com outros carros que estão em sentido contrário. O problema se agrava ainda mais no começo e no final do dia, pois no mesmo local fica a entrada do bairro Parque Cidade Jardim 2.


Os moradores reclamam do problema da qualidade do asfalto e da situação do trânsito na avenida, uma vez que ela é estreita, cheia de remendos e de sentido duplo.


No próximo dia 20 de janeiro, está prevista uma reunião na igreja do Jardim do Lago entre os moradores e representantes da Prefeitura de Jundiaí. Esses e outros assuntos, certamente aparecerão na ordem do dia.

BBB e o Ai se eu te pego!



Por Douglas Yamagata

Parece que o participante do BBB, Daniel, levou literalmente ao pé da letra o "Se eu te pego" do cantor Michel Teló. Segundo diversos sites e twits, o rapaz teria "pegado" a participante Monique embaixo do edredon enquanto a mesma estava desacordada devido a embriaguez da balada, levando a várias manifestações de diversos grupos feministas, inclusive da Secretaria de Políticas para Mulheres. Ou seja, a moça teria sido estuprada...

Apesar de inicialmente a Rede Globo ter ignorado o caso, a pressão fez com que a emissora expulsasse o participante Daniel.

O BBB é caracterizado por desqualificar e vulgarizar as pessoas, cujo conteúdo nada tem a acrescentar ao telespectador e a obscenidade é incentivada aos participantes. Essa vulgarização e obscenidade pode ser traduzido neste suposto estupro da participante. Pior é a atitude permissiva da Globo, que deveria ter intervido logo após o acontecimento, e só o fez quando virou escândalo e caso de polícia. A Globo fez de tudo com relação a sua audiência e menosprezou a integridade física e moral da pessoa. Portanto, se a Globo foi permissiva, ela também deve ser responsabilizada juridicamente.

Em tempos de Michel Teló, que populariza mundialmente o "se eu te pego", não poderíamos imaginar outra coisa para um BBB...

Afinal os tempos mudaram. "Fazer Amor de madrugada" parece ser coisa dos últimos românticos, tempo em que existia namoro e música. Tempo em que o sexo não era sinônimo de pegar, e sim, de amar.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Museu nos EUA cancela mostra com desenhos de crianças palestinas

Trabalhos mostram conflitos e sofrimento provocados pelos ataques a Gaza


Do Site da Caros Amigos



Da Redação
Pressões de organizações pró-Israel motivaram o cancelamento de uma exposição de desenhos de crianças palestinas programada no Museu de Arte para Crianças (Mocha), em Oakland, nos Estados Unidos. A mostra estava prevista para ocorrer em setembro, promovida pela Aliança do Oriente Médio para a Infância (Meca).
Batizada em tradução livre de "Um olhar de criança sobre Gaza", as imagens proibidas foram feitas por crianças palestinas e abordam os conflitos com Israel. "Os únicos ganhadores aqui são os que gastam milhões de dólares para censurar toda crítica a Israel e o silenciamento das vozes das crianças que vivem todos os dias sob o cerco militar e com a ocupação", afirmou a diretora executiva da Meca, Barbara Lubin, em entrevista ao site do Movimento Palestina Livre.
Confira abaixo algumas das imagens proibidas no museu dos Estados Unidos e que circulam em blogs e emails.







Fonte: Caros Amigos

sábado, 14 de janeiro de 2012

Após múltis controlarem nossas usinas, Brasil importa mais de 1 bilhão de litros de etanol dos EUA


Desnacionalização, monopolização e câmbio arrasam a produção nacional de etanol e fazem o de milho invadir o Brasil


Escrito por: Carlos Lopes / Hora do Povo


Em 2011, o país importou 1 bilhão e 100 milhões de litros de etanol de milho dos EUA, um aumento de 1.384,8% em relação a 2010.
Nesse ano (2010), o ex-ministro Delfim Netto, com aquela verve que às vezes lhe caracteriza, disse aos empresários da Federação de Comércio de São Paulo:
... parece que com a taxa de câmbio de R$ 1,60 já podemos importar o etanol de milho dos EUA...” (ver HP, 23/11/2010).
Delfim provocou frouxos de risos entre os empresários. Era muito absurda a ideia de que um país que cultiva cana-de-açúcar há 500 anos, que até foi o primeiro a introduzir seus derivados no mercado mundial, que tem 2,9% de sua imensa área agricultável ocupada pela cana, e que há 40 anos inventou o uso do álcool como combustível automotivo, pudesse importar etanol de milho dos EUA – até porque o custo de produção deste é bem maior que o nosso: como apontou o diretor da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, para produzir a mesma quantidade de etanol, a produção a partir do milho dispende, no mínimo, oito vezes mais energia do que a produção a partir da cana.
Infelizmente, o ovo da serpente bêbada já tinha saído da casca: naquele mesmo ano de 2010, o Brasil importou 74,084 milhões de litros de etanol de milho dos EUA, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Não era muito significativo, quando comparado ao nosso consumo, mas era um sinal.
Agora, em 2011, aumentamos em 1.384,8% as importações de etanol dos EUA, alcançando 1,1 bilhão de litros. Um verdadeiro grande salto para trás.
Num país como o nosso, levantar que o problema foram as condições climáticas parece piada numa cultura, como a cana-de-açúcar, que existe do Sul ao Nordeste. E, antes que alguém (na verdade, já aconteceu) levante que esse é um grande negócio para o Brasil, pois ao mesmo tempo que importamos etanol dos EUA, também exportamos para lá (?!), observemos que as exportações de etanol do Brasil, de 2008 a 2011, caíram nada menos do que 70% - de 4,7 bilhões de litros para 1,4 bilhão de litros (cf.  UNICA, Marcos Jank, “The rise of ethanol imports: trends in Brazil’s ethanol market”, set./2011, p. 23).
Enquanto isso, as importações de etanol, que eram desprezíveis em 2008 (2 milhões de litros) cresceram para 1,1 bilhão de litros em 2011. Ou seja, de 2008 a 2011, cresceram 54.900% e estão quase empatando com as exportações (cf. UNICA, trab. cit., mesma p.).
A SECEX informa de onde vêm essas importações: 97,6% delas vêm dos EUA.
O que aconteceu com o setor de etanol, que há poucos anos era uma verdadeira grife brasileira, um anunciado e já carimbado passaporte para o futuro?
Primeiro, ele foi brutalmente desnacionalizado. Na apresentação da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) que acabamos de citar, realizada nos EUA, isso aparece com o nome nada sutil de “strong consolidation”: a Shell é agora proprietária da Cosan e da NovaAmérica; a British Petroleum é agora dona da CNAA e da Tropical Bioenergia; a Bunge tomou o Grupo Moema; a Louis Dreyfus tomou o Grupo Santa Elisa; o Noble Group levou o Grupo Cerradinho; a Shree Renuka Sugars pegou o Grupo Equipav; a Tereos tomou parte do Grupo Guarani, a Vertente e a Mandu (cf. “The rise of ethanol imports: trends in Brazil’s ethanol market”, p. 10).
Dos grupos e empresas importantes no setor, só não são estrangeiros a ETH, que pertence aos monopolistas da Odebrecht, a São Martinho, que a Petrobrás adquiriu, e a sociedade da mesma Petrobrás com os franceses da Tereo, no Grupo Guarani.
Notemos que o setor de etanol cresceu 10,4% ao ano de 2003 a 2008. Depois da desnacionalização, o crescimento anual caiu para 3,6% de 2009 a 2011, período em que o aumento da frota de carros flex atingiu 40% (UNICA, op. cit., p. 7 e 8).
Multinacionais são sempre monopólios. Investem o mínimo para lucrar mais. Assim, o que elas fizeram foi se apoderar do que as empresas brasileiras já tinham construído – a construção de novas usinas, que havia crescido de nove (2005) para 19 (2006), 25 (2007) e 30 (2008) caiu para 19 (2009), 10 (2010) e 5 (2011). Portanto, deixaram de investir, apesar da generosidade do BNDES com essas multinacionais.
Mas não foi um mecanismo econômico inconsciente que estrangulou a produção nacional de etanol. Segundo o sr. Paulo Costa, secretário-executivo da IETHA (International Ethanol Trade Association – a entidade das multinacionais do setor), “a concentração e consolidação do segmento em mãos de empresas financeiramente sólidas e melhor conhecedoras dos fundamentos de mercado fizeram com que o consumo fosse administrado através de uma oferta controlada por preços elevados” (ver HP, 24/06/2011).
Em suma, o que houve foi monopólio, cartelização do setor. O sr. Costa, um ex-executivo da Cargill, não se referiu ao estancamento dos investimentos após a desnacionalização do setor. Mas isso faz parte do perfil de sua especialidade. Para que as multinacionais iriam investir? Para baixar o preço do etanol com o aumento da produção?
Por tudo isso, parece algo delirante a estimativa do presidente da UNICA, Marcos Jank, de que os estrangeiros construirão, até 2020, mais 120 usinas (cf. Jank e Perina, “O Movimento Mais Etanol”, OESP, 14/12/2011).
Porém, mesmo que as multinacionais fizessem isso, em oito anos isso significaria apenas 15 novas usinas por ano – um número, portanto, inferior aos de 2006, 2007 e 2008.
Segunda questão: o câmbio. Com as taxas de câmbio vis-à-vis o dólar que os altos juros provocam no Brasil, até importar etanol de milho dos EUA no país da cana-de-açúcar (e do etanol) torna-se vantajoso. Como o ex-ministro Delfim Netto já havia tocado na questão, resta-nos apenas enfatizar: se a Groenlândia tivesse esses juros e essa taxa de câmbio, alguma multinacional iria importar sorvete para vender aos esquimós.

Fonte: Hora do povo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Amaury Ribeiro Jr. diz que CPI mostrará que privatizações foram 'roubalheira geral'

Autor de "A Privataria Tucana" aposta que face autoritária e blindada pela mídia de Serra será exposta com investigação na Câmara a partir de fevereiro


Da Rede Brasil Atual



São Paulo – Autor de um dos livros brasileiros mais vendidos em dezembro de 2011 e janeiro deste ano, o jornalista paranaense Amaury Ribeiro Júnior afirmou que vê com naturalidade a reação do ex-governador José Serra (PSDB) ao conteúdo de "A Privataria Tucana". Para ele, quando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as privatizações promovidas durante a década de 1990 for instalada na Câmara Federal, o tucano terá revelado seu lado "autoritário" e blindado pela mídia.
"A Privataria Tucana" apresenta indícios claros, a partir de documentos públicos ou obtidos legalmente, de um esquema bilionário de fraudes no processo de privatização de estatais durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Serra, que era o ministro do Planejamento, gestor do processo, tem parentes e pessoas próximas acusadas de envolvimento com movimentações de contas em paraísos fiscais, além de operações de lavagem de dinheiro. O jornalista acusa ainda o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira de ter atuado como "artesão" da construção de consórcios de privatização em troca de propinas. 
O pedido de CPI da Privataria foi protocolado pelo deputado federal Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) em dezembro, com 185 assinaturas, 14 a mais do que o mínimo exigido para abertura da comissão na Câmara. Ele obteve o compromisso do presidente da Casa, deputado Marco Maia (PT-RS) de que haveria encaminhamento da demanda em fevereiro, após o recesso parlamentar de fim de ano.
Serra chegou a chamar o livro de "lixo" e, mais recentemente, disse também que a CPI para investigar as revelações presentes no documento não passava de uma "palhaçada". Ribeiro Júnior disse receber as manifestações sem surpresa, mas retrucou afirmando que o ex-governador é "um cara autoritário", e que isso se deve à misteriosa blindagem que a mídia mantém em torno dele.
"Ele (Serra) está tentando me desqualificar porque não tem como explicar as coisas que estão lá (no livro), porque são inexplicáveis. Ele tenta usar outros caminhos para se defender", avalia. "Embora utilize um discurso democrático, ele não sabe tratar as pessoas, não sabe lidar com (críticas feitas por) jornalista”, criticou Ribeiro Júnior.
Ribeiro ainda enxergou com bons olhos a investigação que será realizada pela CPI, que segundo ele, "servirá para aprofundar os trabalhos, trazer fatos novos". O autor acredita que com uma apuração mais aprofundada, utilizando-se todos os instrumentos legais de uma CPI, muita novidade irá surgir.
"(A CPI) Vai mostrar que a coisa foi muito maior. Vai mostrar que foi uma roubalheira geral, que foi só para enriquecer pessoas mesmo, e que o patrimônio do Brasil foi lapidado para enriquecer pessoas ligadas ao tucanato. Com certeza vai chegar a valores assustadores e nomes grandes", previu.
O jornalista também alertou para possíveis tentativas da velha mídia de tentar abafar os trabalhos da CPI. "Com certeza eles vão tentar esconder, como fizeram na época do Banestado. Eles não vão destacar porque muitos desses órgãos de comunicação se beneficiaram das privatizações."

Mais denúncias

Ribeiro relatou que está trabalhando em três outras grandes reportagens, que podem render material para novos livros. “Esse ano ainda vou soltar outro livro, mas vamos decidir qual será a prioridade”, falou. Sem revelar os conteúdos, o autor adiantou que um deles trata das artimanhas de uma mineradora para "fraudar o pagamento de royalties."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fernando Carpaneda e a polêmica escultura “Bolsonaro’s Sex Party”



Do Site Época
Jair Bolsonaro foi parar no The Leslie Lohman Gay Art Foudation, em Nova York — oficialmente o primeiro museu de arte gay dos EUA. É que Fernando Carpaneda, artista plástico brasileiro radicado na cidade, decidiu “homenagear” o deputado federal (PP-RJ) numa obra bem ousada — uma orgia.
A escultura Bolsonaro’s Sex Party fará parte do acervo permanente da fundação e ficará ao lado de trabalhos de artistas contemporâneos como Andy Warhol, Keith Haring e Robert Mapplethorpe. Ou seja, Bolsonaro vai ficar bem ao lado de alguns dos homossexuais mais famosos do mundo e das artes.
“Da mesma maneira que Bolsonaro tem direito garantido e imunidade parlamentar para ir à TV falar mal de gays e negros, eu, como brasileiro, também tenho o direito de me expressar em público sobre o deputado”, disse Carpaneda à coluna.
Desde quando se interessa por artes plásticas?
Fiz minha primeira exposição no Brasil com 13 anos de idade, em 1982. Meu trabalho sempre foi figurativo, direcionado à arte de rua e underground, sempre focando movimentos urbanos e o mundo gay. Saí do Brasil por falta de espaço, por fazer trabalhos figurativos numa época em que curadores brasileiros só mostravam trabalhos conceituais no país.
Prefere escultura ou pintura? E qual o impacto que elas causam nas pessoas?Prefiro a escultura. Faço pinturas para relaxar a alma e descontrair. Esculturas tomam todo o meu tempo e consomem muito da minha energia. Levo entre 20 a 30 dias para fazê-las. O tamanho das esculturas varia entre 8 e 30 centímetros de altura. Não faço esculturas em tamanho natural, preferi me dedicar às miniaturas. Quanto ao impacto que elas causam? Bem… quando se trabalha com nus masculinos e pornografia, as pessoas se assustam. As pessoas transam todos os dias em todos os lugares. Acho o ser humano hipócrita.
Como você escolhe os temas?Eu retrato o que se passa na minha vida ou o que acontece à minha volta. Como não consigo me calar diante de certas injustiças, acabo passando isso para os meus trabalhos também.
Você é um gay militante?Nunca tive a intenção de ser militante, mas meus trabalhos acabaram me colocando nessa posição de militância de alguma forma.
Como encara o “choque” das pessoas? Pensa nisso antes de criar ou aproveita a polêmica para chamar a atenção?Eu crio trabalhos que a maioria dos artistas plásticos não tem coragem de fazer, e como não faço parte da sociedade brasileira de defesa da tradição, família e propriedade, isso choca certas pessoas.
Como funciona seu processo criativo?Eu sempre fui envolvido com o movimento punk, tanto aqui nos Estados Unidos como no Brasil, e acabei conhecendo todo tipo de gente e pessoas que têm outra postura e visão de vida. A base onde coloco a figura em argila é feita com objetos que o retratado usou, consumiu ou na situação em que esteve no mesmo espaço físico que eu. Uso guimbas de cigarros, latas de cerveja, caixas vazias de pastas de dente para compor a obra. Essa base representa o mundo do retratado. Depois faço a escultura em argila e acrescento frases ou poesias e plastifico a peça. Acho que, quando um cara coloca um salto, veste uma minissaia e vai pra esquina trabalhar, isso é um ato de enorme sinceridade com ele próprio e com o mundo. Ele está sozinho, desprendido de qualquer tipo de postura. São pessoas muito seguras do que fazem e exigem respeito. Sempre gostei disso desde criança. Essas pessoas, por terem uma estética fora do padrão e terem uma experiência de vida e de rua muito fortes sempre me influenciaram. Arte para mim é sentimento. Nunca vi muita diferença entre marginais de rua e marginais que trabalham no Congresso Nacional. Marginais por marginais, prefiro os de rua.
E a reação das pessoas?A culpa é da TV, que mostra bichinhas caricatas, fazendo fofoca da vida alheia. Não mostram dois homens de terno se amando e tendo uma vida normal, falando grosso e de mãos dadas com seu namorado. Os pais imaginam que ter filho homossexual é ter uma Vera-Verão ou um Pit Bicha em casa e morrem de medo disso. A TV denigre sempre que pode o homossexual. Minhas esculturas mostram homens amando outros homens, drags, punks e marginais. Quando as pessoas vão a uma exposição minha se sentem agredidas com os trabalhos que mostram homens fortes se beijando. Na cabeça delas aquilo é inaceitável, pois o estereótipo que elas conhecem não é aquele. Minha arte ou você gosta ou odeia. Não existe meio termo. Tanto aqui nos EUA quanto aí no Brasil, a maioria das pessoas gosta.
Como surgiu a ideia de fazer a “Bolsonaro’s Sex Party”? É uma provocação? O que você pensa sobre o deputado?Este assunto não é brincadeira! Eu tenho vários amigos negros que têm crianças pequenas e sempre tiveram problemas horríveis no colégio por causa da cor. Eu conheço a realidade dessas crianças de perto, assim como a realidade de gays adolescentes. Não precisamos que um idiota, mal informado e que se diz cristão incentive a descriminação e a violência contra negros e gays. Acho esse tal de Bolsonaro um idiota. Ele deveria ser afastado da política brasileira, assim como a Miriam Rios, o Pastor Édino Fonseca, entre outros imbecis homofóbicos que usam o nome de Jesus Cristo em vão. Algumas pessoas não entendem a obra, mas a escultura aborda ainda um protesto contra as campanhas homofóbicas como a da Igreja Batista americana “God hates Fags” (“Deus odeia os Viados”). Eu troco a palavra “odeia” e coloco a palavra “ama”. A escultura também tem a inscrição “A realidade é que às vezes fazemos sexo sem camisinha”, ou seja, um alerta sobre sexo sem proteção. Muitas pessoas criticam a escultura por falta de conhecimento sobre questões importantes relacionadas ao mundo gay. Quem não tem conhecimento sobre esses assuntos só consegue ver uma cena desnecessária de sexo.
Sofreu algum tipo de preconceito no Brasil? E nos EUA?Preconceito existe em todos os lugares e nunca vai acabar. A diferença é que as leis nos Estados Unidos funcionam e no Brasil não.
Teve algum problema com a Igreja por conta dos seus trabalhos?Sim. Os crentes sempre me atacaram. Sempre foram gritar e fazer orações nas minhas exposições no Brasil. Escrevi sobre isso na minha autobiografia “O Anjo de Butes”.
Pretende trazer uma mostra para cá?Vou expor em Brasília, em junho, com o apoio da PLUS, galeria que me representa no Brasil e umas das poucas no país, junto com a Choque Cultural (SP), que tem uma visão mais aberta e atualizada sobre o que acontece em artes no exterior. Se tudo der certo, vou levar a escultura Bolsonaro’s Sex Party comigo. A escultura agora faz parte da Fundação Leslie Lohman, que há alguns meses se transformou oficialmente no primeiro museu de arte gay dos EUA. Estamos em negociação.
Para conhecer a obra de Carpaneda, visitem o site.
Fonte: Época