
Por Douglas Yamagata
Dizem que quando político morre, vira santo. Eu não concordo muito com isso, mas tudo bem. No entanto, acho que agora a população de São Paulo vai poder ficar tranqüila, pois a morte de Pitta foi uma verdadeira “benção”. Nunca mais voltará aquele que nos últimos tempos, afundou a cidade de São Paulo.
Apesar de ter estudado na Inglaterra e em Harvard, a maior escola de Pitta foi na Secretaria de Finanças da prefeitura de São Paulo com Maluf, onde aprendeu lições de seu mentor de como “lidar” com as finanças públicas. Aliás, esta secretaria é uma das favoritas dos políticos, inclusive na minha cidade.
Em 1996, Pitta foi eleito prefeito de São Paulo pelo PPB, derrotando a candidata do PT, Luiza Erundina. Este foi um fato surpreendente, e uma das maiores injustiças já cometidas contra o paulistano. Enquanto Erundina se preocupou em colocar as “contas em dia”, Maluf e Pitta trataram de “re-afundar” as finanças da prefeitura.
O governo de Pitta foi marcado pela promessa do “fura-fila” e pelo escândalo dos “precatórios”.
O fura-fila é uma obra que prometia minimizar os problemas de trânsito de São Paulo, sendo propagandeado amplamente na campanha eleitoral de Pitta. Custou mais de R$ 1 bilhão, e a obra até hoje está incompleta.
O “escândalo dos precatórios” envolveu vários políticos: desde vereadores até secretários. O esquema tratava de emitir títulos públicos superfaturados para pagamento de precatórios do município. De R$ 1,5 bilhão arrecadado com a venda dos títulos públicos, apenas R$ 300 milhões foram utilizados para o pagamento de precatórios. O resto foi embolsado pela trupe de Maluf e Pitta.
No final do mandato, Pitta tinha treze ações civis públicas, e o valor das denúncias chegou a quase R$ 4 bilhões de reais. A dívida da cidade de São Paulo que no início da gestão era de R$ 9 bilhões, foi para R$ 18 bilhões ao final do mandato. Pitta teve um dos maiores índices de rejeição de todos os prefeitos que passaram pela prefeitura de São Paulo.
Depois disso, disputou eleições para deputado, mas não obteve “êxito”. Em 2004 foi preso por desacato à autoridade na CPI do Banestado. Em 2008, foi preso na Operação Satiagraha, onde logo em seguida conseguiu liminar pelo juiz Gilmar Mendes. No mesmo ano, foi procurado pela justiça por não pagar pensão alimentícia.
Finalmente em novembro de 2009 ele partiu e finalmente “virou santo”.
Afinal, depois de tantos “milagres”, não poderia deixar de ser “canonizado”.


















