terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Problema em Jundiaí não é só o trânsito

Por Douglas Yamagata

Pelas últimas estatísticas do IBGE, Jundiaí já conta com quase 400 mil habitantes. Nada mal para uma cidade que contará com um orçamento gordo de R$1,3 bi em 2012 e não consegue resolver seu trânsito.

O que chama a atenção em Jundiaí, é a alta renda per capita da cidade de R$1.149. E parte disso pode ser explicado.

Cerca de uma década atrás, um determinado secretário municipal de Jundiaí, disse que "naturalmente" as pessoas de baixa renda se mudavam de Jundiaí para Campo Limpo Paulista ou Várzea Paulista. Naturalmente? Há décadas, o que as administrações fizeram foram uma verdadeira "elitização" na cidade. Ou seja, criaram as condições para que grande parte das pessoas de baixa renda fossem embora daqui.

Basta ver o valor dos imóveis em Jundiaí, onde hoje não se encontra uma casa ou apartamento por menos de R$100 mil, mesmo que o imóvel seja onde "o Judas perdeu as cuecas". Contribuem para isso, os grandes empreendimentos imobiliários, com a proliferação dos condomínios fechados, atraindo uma clientela "de fora"  , e logicamente, de classe média ou média alta. Para se ter uma ideia, conversando com um corretor de imóveis, os apartamentos que serão localizados ao lado do futuro shopping da 9 de julho, já estão praticamente todos vendidos.

Desta forma, se temos uma sociedade jundiaiense "elitizada" com predominância da classe média, então temos uma sociedade que consome, inclusive carros (e de luxo, inclusive). Explica-se aí, parte do caos do trânsito de Jundiaí.

Outra questão, é que não compensa andar de ônibus na cidade (tarifa de R$2,90), pois com esse valor, muitos cidadãos preferem ir de carro pois sai mais barato. Afirmo, com experiência de causa, que nos horários mais dramáticos, os ônibus são superlotados e pouco atrativos para quem tem carro na garagem. Com uma tarifa dessas e poucos ônibus, não há como encobrir a incompetência da Prefeitura de Jundiaí ao longo desses anos...

Outra questão: congestionamentos.

Para atender os interesses, empreendimentos são simplesmente implementados. Não se prevê, o impacto viário que vai causar no bairro. É só visualizarmos o bairro da Ponte São João, onde temos um caos no trânsito, antes mesmo da entrega dos apartamentos de um grande conjunto habitacional que está sendo construído lá. E o que dizer da 9 de Julho, onde é certo a construção de um shopping e mais um conjunto habitacional. Não há trânsito que resita a tanta gente e a tantos carros que virão!

Além disso, os empreendimentos são implementados sem previsão de implantação de escolas, creches, Unidades Básicas de Saúde e tudo mais. Parece que o Plano Diretor nem sequer existe. É o verdadeiro, "faz depois a gente vê o que dá".

Fica claro que não há argumentações que resista a esse descaso. Ficar dizendo que a culpa é do Governo Federal que incentiva a fabricação de carros é realmente argumentação de quem não tem argumentação.

Obs - Coisa contraditória é a proposta de melhoria das ferrovias, só lembrando que foram os próprios tucanos que sucatearam e venderam as ferrovias, e não deu em nada. É meio obscura esta proposta de querer reaparelhar. Talvez o Serra possa explicar algumas coisas dessa passado lamentável.

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