Estatuto do jovem avança com acordo PSOL-DEM e derrota da UNE Projeto
passa por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e
segue à de Assuntos Sociais. Relatório de Randolphe Rodrigues (PSOL-AP)
garante cotas de meia entrada em espetáculos, mas na última hora é
alterado e impede que UNE tenha monopólio para emitir carteirinhas. PSDB
e DEM queriam impedir fortalecimento da entidade, simpática ao governo.
Do Site Correio do Brasil
Brasília – Com um plenário lotado de estudantes, o Estatuto da
Juventude foi aprovado, nesta quarta-feira (15), na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, depois de um acordo entre PSOL e
DEM. E com um recuo de última hora do relator que derrotou tentativa da
União Nacional dos Estudantes (UNE) de fortalecer-se institucionalmente
com monopólio para emitir carteirinha de meia entrada.
A exclusividade para confecção do documento foi o ponto mais polêmico
da votação, que durou mais de três horas. O relator, Randolphe
Rodrigues (PSOL-AP), havia aceitado uma proposta da UNE de dar a ela
exclusividade no serviço, só compartilhada com a União Brasileira dos
Estudantes Secundaristas (Ubes) e com a Associação Nacional de
Pós-Graduandos.
Era uma forma de garantir unidade política o movimento estudantil e,
ao mesmo tempo, mais fonte de receita – o que também implicaria mais
poder político -, já que a emissão da carteirinha é paga.
Os líderes do PSDB, Álvaro Dias (PR), e do DEM, Demóstenes Torres
(GO), eram contra o monopólio e agiram para impedir que prosperasse.
Ambos pertencentes a partidos de oposição ao governo Dilma, com quem a
UNE tem uma relação simpática e mais próxima (embora a relação com o
governo Lula fosse melhor), Dias e Demóstenes queriam impedir o
fortalecimento da UNE.
Minutos antes da votação final, o relator desistiu de insistir no uso
do termo “exclusivamente”, no que diz respeito às entidades que podem
emitir carteirinha, e aceitou trocá-lo por “preferencialmente”.
Apesar dessa derrota específica, a UNE conseguiu uma vitória com a
aprovação de um relatório que define regras mais claras sobre como os
jovens vão usufruir o direito à meia entrada.
O parecer de Randolphe Rodrigues determina que deve haver cotas de
50% destinadas aos jovens com direito a desconto em todos os espetáculos
financiados com dinheiro do Programa Nacional de Cultura. E de 40% nos
demais. Não havia essa cota explícita no texto aprovado pelos deputados.
A meia entrada era um dos pontos mais polêmicos da votação. Outro era
o recorte etário que define quem é jovem e se encaixa no Estatuto. O
texto dos deputados e o parecer de Rodrigues definem como sendo pessoas
de 15 a 29 anos.
Demóstenes Torres, que o DEM diz ser um potencial candidato do
partido a presidente da República em 2014, diz achar um “absurdo”
considerar alguém jovem com 29 anos. Ele queria que o recorte fosse de
18 a 21 anos. Acabou derrotado neste ponto.
O demista tinha apresentado, aliás, um relatório alternativo ao de
Randolphe Rodrigues, o que poderia mais uma vez barrar a votação do
projeto na CCJ. Mas um acordo entre ambos, no início da sessão, garantiu
que não haveria mais adiamento.
O texto segue agora para uma outra comissão do Senado analisar, a de Assuntos Sociais.
Fonte: Correio do Brasil

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